Apostas dos leitores: Talita Jeolás faz seu bolão para o Oscars

Se você ainda não viu a lista de indicados ao Oscars, mas não quer ficar de fora da rodinha dos cinéfilos, precisa correr atrás do tempo perdido, porque a premiação já é no dia 4 de março!

Mas, caso você seja um grande fã de cinema e já esteja com todos os filmes na ponta da língua, pode contar para a gente quais são as suas apostas para os vencedores. É o que fez a estudante de jornalismo Talita Jeolás, que acompanha a premiação todo ano – e segundo ela, tem um histórico de acertos em seus chutes e se diverte ganhando o dinheiro dos amigos. Vem ver a análise dela:

Categorias principais, possibilidades

Melhor Filme: Três Anúncios para um Crime, A Forma da Água e Lady Bird – a Hora de Voar.
Aposta: Lady Bird – a Hora de Voar.

Por quê? É o azarão do ano. Não ganhou atenção de cara, mas foi muito bem recebido pelo público e pela crítica, eventualmente venceu a categoria de “Melhor Filme Cômico ou Musical” no Globo de Ouro. Nos últimos dois anos, o vencedor do maior prêmio da Academia tem sido um filme que não brilhou em outras categorias. “Spotlight: Segredos Revelados”, em 2016, só levou um prêmio além do “Melhor Filme”, que foi “Melhor Roteiro Original”. Em 2017, “Moonlight: Sob a Luz do Luar”, levou “Melhor Roteiro Adaptado” e “Melhor Ator Coadjuvante”. A tendência do Oscar tem sido cada vez menos premiar um grande filme com grandes categorias, premiando vários grandes filmes em categorias específicas. “Lady Bird – a Hora de Voar” não tem o potencial de prêmios como “Melhor Atriz”, “Melhor Atriz Coadjuvante” e “Melhor Diretor”, isso porque o brilhantismo do filme não vem do destaque de uma atuação individual, mas da trinca formada entre Saoirse Ronan, Laurie Metcalf e a diretora Greta Gerwig.

Melhor Diretor: Guilhermo Del Toro, por “A Forma da Água” e Christopher Nolan, por “Dunkirk”.
Aposta: Guilhermo Del Toro.

Por quê? Primeira indicação do diretor, é favorito pela ousadia que o faz criar um estilo único de realismo fantástico em seus filmes. Conhecido pelo longa metragem “O Labirinto do Fauno”, de 2006, Del Toro se diferencia em suas obras com a utilização de monstros, mas mostrou uma evolução na questão da sensibilidade, decidindo também apostar mais em críticas sociais 12 anos depois de lançar o filme que colocou seu nome no mapa. Venceu o Globo de Ouro e, apesar de ter concorrentes à altura, é muito provável que a estatueta dourada fique mesmo em suas mãos.

Melhor Atriz: Sally Hawkins, por “A Forma da Água” e Frances McDormand, por “Três Anúncios para um Crime”.
Aposta: Frances McDormand.

Por quê? Habilidade dramática não é para qualquer atriz. Convencer o público de que aquele personagem está, de fato, sofrendo, é trabalho para peixe grande em Hollywood. McDormand interpreta Mildred Hayes, uma mulher emocionalmente destruída e dotada de uma personalidade complexa. Apesar de se tratar majoritariamente de um drama, “Três Anúncios para um Crime” abusa do humor negro, fazendo com que a personagem de Frances tenha que ser intensa, contida, rabugenta, muito determinada e também cômica de uma forma mórbida. O público sente a dor de Mildred, sente sua revolta, e ao mesmo tempo consegue rir com ela durante o desenvolvimento de toda a trama. Este é considerado o melhor trabalho da carreira de Frances McDormand, que já levou um Oscar de “Melhor Atriz” por Fargo, em 1997.

Melhor Ator: Gary Oldman, por “O Destino de uma Nação” e Timothée Chalamet, por “Me Chame pelo seu Nome”.
Aposta: Timothée Chalamet.

Por quê? De fato, Timothée não é a aposta mais sensata para a 90ª edição do Oscar, mas a atuação do garoto de apenas 22 anos merece o destaque de um prêmio com a magnitude da Academia. Que Oldman e sua representação brilhante de Winston Churchill me perdoem, mas Elio Perlman é um personagem que merece a devida atenção. Dotado de uma sensibilidade incrível, o personagem de Chalamet entrega ao público uma emoção muito maior do que a esperada quando começamos a assistir ao filme. É clara a tamanha dedicação e entrega do ator para desenvolver Perlman, um adolescente de 17 anos que encontra o primeiro amor nos braços de um homem mais velho.

Melhor Atriz Coadjuvante: Allison Janney, por “Eu, Tonya” e Laurie Metcalf, por “Lady Bird – a Hora de Voar”.
Aposta: Allison Janney.

Por quê? A verdade é que “Eu, Tonya” está longe de ser meu filme preferido da temporada, inclusive nem indicação à categoria de “Melhor Filme” recebeu. Contudo, julgando apenas atuação individual, Janney se destaca no filme de uma forma que nem a protagonista Margot Robbie consegue fazer. Metcalf até merece ser levada como possibilidade na categoria, mas cai na questão do brilhantismo de “Lady Bird – a Hora de Voar” não ter ocorrido por atuações individuais, e sim pela trinca de mulheres no comando. Allison Janney já levou o Globo de Ouro e SAG Awards por dar vida à LaVona Harding, uma personagem que abusa da frieza e se beneficia pela experiência da atriz de 58 anos.

Melhor Ator Coadjuvante: Sam Rockwell, por “Três Anúncios para um Crime” e Willem Dafoe, por “Projeto Flórida”.
Aposta: Sam Rockwell.

Por quê? Confesso que não assisti à Projeto Flórida, mas mesmo conhecendo o trabalho de Dafoe e sabendo que muitos prêmios da crítica foram entregues a ele pelo papel de Bobby, é impossível não apostar em Rockwell depois de vê-lo em cena por “Três Anúncios para um Crime”. Não me lembro da última vez que um personagem conseguiu me deixar com tanta raiva, me fazer rir até não poder mais, me dar esperança e ainda fazer com que eu ficasse com pena dele. O policial Jason Dixon é um alcóolatra que ainda mora com a mãe, racista, extremamente explosivo e muitas vezes retratado como um cara que não possui um QI dos melhores. O ponto de virada do personagem no filme é incrível, emocionante e leva todo o enredo para um caminho não previsto. Sam Rockwell é uma das minhas apostas mais segura entre as categorias da 90ª edição do Oscar.

Melhor Roteiro Original: Corra!, de Jordan Peele, e Três Anúncios para um Crime, de Martin McDonagh.
Aposta: Três Anúncios para um Crime.

Por quê? Apesar de grande inclinação para apostar em “Corra!”, acho maior a probabilidade de “Três Anúncios para um Crime” levar a estatueta para casa pelo roteiro conciso, bem elaborado e sem furos até onde pude notar. Tecnicamente perfeito, é possível que desbanque o surpreendente roteiro de “Corra!”, que caiu nas graças do público por tamanha agonia que conseguiu transmitir, mas recebeu críticas técnicas e referentes à continuidade. A verdade é que qualquer um dos dois roteiros poderia vencer a categoria, mas a inclinação ainda é um pouco maior para “Três Anúncios para um Crime”, que inclusive levou o Globo de Ouro na categoria de “Melhor Roteiro Dramático”. Vale ressaltar que “Corra!” não competia na mesma categoria, perdendo para “Lady Bird – a Hora de Voar” em “Melhor Roteiro Cômico ou Musical”.

Melhor Roteiro Adaptado: Me Chame pelo seu Nome, de James Ivory e Artista do Desastre, de Scott Neustadter e Michael H. Weber.
Aposta: Me Chame pelo meu Nome.

Por quê? Sinceramente, nenhum outro dos indicados conseguiu o alcance e prestígio da obra escrita por James Ivory. “Logan” foi uma indicação surpreendente, mas dificilmente leva o prêmio. “Artista do Desastre” até tem pontos a serem levados em consideração, mas a verdade é que a categoria de “Melhor Roteiro Adaptado” já era de “Me Chame pelo seu Nome” antes mesmo da Academia anunciar os indicados.

Categorias menores

Melhor Filme Estrangeiro: “Sem Amor”, Rússia.
Melhor Animação: “Viva: a Vida é uma Festa”.
Melhor Documentário: “Faces Places”.
Melhor Edição: “Dunkirk”.
Melhor Fotografia: “Blade Runner 2049”.
Melhor Direção de Arte: “Blade Runner 2049”.
Melhor Figurino: “Trama Fantasma”.
Melhor Maquiagem: “O Destino de uma Nação”.
Melhor Canção Original: “Remember Me”, de “Viva: a Vida é uma Festa”.
Melhor Trilha Sonora Original: “A Forma da Água”.
Melhor Edição de Som: “Dunkirk”.
Melhor Mixagem de Som: “Dunkirk”.
Melhor Efeitos Visuais: “Planeta dos Macacos: a Guerra”.
Melhor Curta-Metragem: “DeKalb Elementary”.
Melhor Animação em Curta-Metragem: “Revolting Rhymes”.
Melhor Documentário em Curta-Metragem: “Heroin(e)”.

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