Com Viola Davis no elenco, o filme “As Viúvas” é muito mais que sub-gênero de ação | Crítica (sem spoiler)

Descrito em sua sinopse oficial como ‘um filme de assalto’, ‘As Viúvas’ é nova produção da Fox Films. Protagonizada por Viola Davis, Michelle Rodrigues, Liam Nelso, Colin Farell e grande elenco, o longa é baseado na obra de Lynda La Plante, é muito mais do que um simples sub-gênero de ação.

Dirigido por Steven McQueen, conhecido por ‘Shame’ e ’12 Anos de Escravidão’, “As Viúvas” tem sua força motriz nos personagens. Com um início que aparenta caminhar pra um lugar-comum, pode parecer confuso quando a narrativa vai jogando mais e mais caras novas que, aparentemente, inflam a tela de sub-tramas desnecessárias ao roteiro. Até, que, lá no meio do 2º Ato, as peças começam a se encaixar e percebe-se a grande maestria do roteiro ao demonstrar que, dentro e fora do filme, todas as ações geram uma cadeia de reações que afetam quem está ao redor.

É bastante notório o fato que nenhum personagem é mocinho ou vilão. Não existe pureza no 18º Distrito de Chicago onde políticos, criminosos, policiais e cidadãos comuns tentam sobreviver. De fato, a maior parte do elenco transita entre essas categorias ao longo da trama, deixando em aberto qual será a atitude de cada um diante dos acontecimentos que se seguem.

Essa imprevisibilidade é o que mantém o espectador concentrado num filme que, para muitos, pode ser considerado ‘arrastado’ em alguns pontos. Na verdade, o desenvolvimento vai seguindo um ritmo instável, sem crescentes anunciados, mudando da ação pro diálogo longo e até com sequências de suspense. Aliás, tem um ENORME plot twist no início do ato final que desestabiliza todas as peças de um quebra-cabeça que acreditávamos naquele ponto já estar se fechando.

A trama política vai se intricando aos dramas diários e, nesse contexto, é inegável a força da crítica a diversos assuntos bem atuais. Além disso, sem traços que poderiam ser considerados “militância” no decorrer dos arcos de cada personagem e, vez ou outra, com falas certeiras de protagonistas ou figurantes. E a questão das armas – em pauta não só nos EUA mas em vários lugares do mundo, como no Brasil, tem duas tiradas geniais! E pra nós, que acabamos de sair de um polarizado processo eleitoral, acompanhar as manipulações e acordos sendo feitos para conseguir voto e não assimilar com as notícias recentes é impossível. É, ao mesmo tempo, um deleite e um sentimento incômodo.

Pra finalizar, o maior acerto do filme é o elenco. McQueen, já conhecido por seus filmes intimistas, aqui transforma um thriller em oportunidade para grandes atuações e cada membro deste ‘time dos sonhos’ – olhe os créditos! – corresponde a altura: Colin Farrell encarna um político em sua forma mais ‘cinza’; Michelle Rodrigues e Cynthia Erivo elevam o status de ‘mãe batalhadora’, já presente em diversas narrativas, Elizabeth Debicki emprega submissão e força em sua personagem de forma precisa. Ela é um enorme destaque, mesmo perto de Viola Davis, que, se existe palavras pra descrever seu talento, me faltam no momento. Generosa em sua atuação, ainda assim a atriz rouba a cena, até mesmo calada no fundo do plano; quando a cena é dela, é incomparável.

O longa estreia no circuito comercial dia 29 de outubro e com certeza vai ser uma grande aposta do estúdio para os Festivais desse fim de ano e premiações de início de 2019.

Assista o trailer:

Texto por: Ludmilla Fadel