“O Jogo Perigoso”: Adaptação da obra de Stephen King pela Netflix | Crítica

O filme baseado na obra de Stephen King, “Gerald’s game”“O jogo perigoso”, em português – foi lançado em setembro de 2017 na Netflix. A história de suspense faz jus aos outros livros do autor, conhecidos pelo terror psicológico e mistério. Com a série de adaptações cinematográficas no ano passado, como ‘It: a coisa’, os romances de King têm ganhado ainda mais visibilidade. A classificação é de 18 anos e o longa tem 1h43min de duração.

Sinopse oficial Netflix

Quando as brincadeiras sexuais do marido dão errado, Jessie, algemada a uma cama numa casa distante, encara visões alucinantes, segredos sombrios e uma escolha terrível.

Estrelando: Carla Gugino, Bruce Greenwood, Henry Thomas
Gêneros: Suspense, Suspenses psicológicos, Filmes de terror
Direção: Mike Flanagan
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Alerta spoiler

***O conteúdo desta crítica descreve parte dos acontecimentos do filme***

Crítica:

O elenco conta com Carla vivendo a persistente Jessie, que perde o marido de uma maneira inusitada: após um assédio sexual. A casa de férias prometia aproximar o casal, mas o destino escolheu relembrar os traumas do passado. O terror psicológico vem justamente do encontro entre Jess na infância e na fase adulta. A personagem volta atormentada a um evento conflitante. Esse trauma familiar mexe com a nossa percepção sobre a relação pai e filha.

A trama retrata temas pesados, como pedofilia e estupro, de forma drástica. A mulher é colocada no papel de superação psicológica dessa experiência e o público pode acompanhar toda a evolução mental. Como se não bastasse ter vivido um abuso, Gerald Burlingame (Bruce Greenwood) tenta agressivamente apimentar a relação sexual dos dois, com o fetiche de acorrentar Jessie. A cena nos deixa aflitos.

Os conflitos e motivos da crise matrimonial vem, então, ao enredo. Daí em diante, o roteiro problematiza as ações sexuais abusivas dentro de uma relação conjugal consentida – diálogo que é, aliás, incrivelmente construído. No mar de acusações, Gerald enfarta. Sim! Enquanto Jessie está presa. E é aí que as assombrações aparecem.

Jessie Burlingame (Carla Gugino) se vê sem socorro, longe da civilização, acorrentada e sozinha. O único companheiro é um cão que entra na casa após algumas horas. ‘O cachorro é o melhor amigo do homem’ – será mesmo? Há um corpo. Um lobo faminto. Um cheiro. Sonhos. Pesadelos. Sede. Quanto tempo ela vai conseguir sobreviver? É, no mínimo, agoniante.

As más lembranças aparecem, não tem mais como escapar. É preciso parar de fingir que nada aconteceu. Jessie se vê presa nas memórias – literalmente! Os momentos de devaneios não dão descanso a ela: voltar os 12 anos de idade ou estar só? A abordagem de “Gerald’s game” nos deixa desesperados enquanto tentamos não abandonar a brilhante Carla Gugino.

A espetacular atuação da atriz cria um inventário completo do que pode ser sofrer um estupro. O foco principal do longa é, sobretudo, a violação psicológica causada pela violência sexual. Tudo contribui para que ela desista: a escolha das palavras, os gritos, a possibilidade de um invasor no quarto observando a protagonista… Será que Jessie consegue se libertar das correntes e de si mesma?

Confira o trailer: