Entrevista: Caio Rizzutti, da banda Holiman, fala sobre o novo trabalho: “É preciso consumir e misturar”

Imagem: Divulgação/Instagram

No mês passado, a banda Holiman surpreendeu os fãs com o lançamento da faixa “Perdão”, que compõe um EP homônimo. Na música, o grupo de hardcore formado por Caio, Callá e Morais apostam em uma sonoridade mais leve e orgânica.

Em atividade oficialmente desde 2014, a banda busca, agora, refletir o amadurecimento pessoal e profissional nas novas canções. Para isso, convocaram Paulo Vaz, tecladista da Supercombo, para produzir o projeto.

Nessa entrevista, o baterista Caio Rizzutti comenta sobre as influências, a mudança de sonoridade e o espaço que há para o rock no mercado atual.  

Poltrona Vip: É possível perceber uma grande diferença de sonoridade entre as músicas do “Porta”, lançado em 2016, e a primeira faixa do EP “Perdão”. A banda está buscando novos rumos na sua musicalidade? Se sim, que tipo de influências – musicais ou não – foram primordiais para isso acontecer?

Caio Rizzutti: De lá pra cá, nós percebemos que para criar, é preciso consumir e misturar. Essa foi basicamente nossa estratégia, ouvir de tudo e absorver tudo de bom que esse material vasto de música nos proporciona, seja rock, rap, mpb, etc. Desde Queens Of The Stone Age até Rodrigo Amarante. Depois disso, o grande desafio foi misturar tudo isso e chegar em algo que tinha nossa cara, buscando um som agressivo, mas também cadenciado, dançante e com letras de valor artístico.

PVIP: As músicas da banda abordam temáticas muito diferentes. Como é o processo criativo de vocês?

CR: A gente busca encontrar no nosso cotidiano assuntos que possam fazer qualquer um refletir, de maneira profunda, ou pelo menos despertar em alguém algo que ainda não tenha percebido a sua volta. A partir disso, conseguimos espremer as ideias e compor de maneira simples e poética segundo a nossa visão, com uma linguagem cotidiana, mas muitas vezes abstrata.

PVIP: Paulo Vaz, tecladista da Supercombo, foi o principal colaborador do EP. Como foi a experiência com ele em estúdio?

CR: A produção do Paulo Vaz fez toda diferença no nosso processo de amadurecimento musical. Tanto na parte de criação quanto na própria gravação, a presença e experiência dele foi fundamental para chegarmos na sonoridade que temos hoje. O grande motivo de termos virado a chave e mudado toda nossa visão sobre o que queríamos pro nosso futuro, partiu de uma reunião com ele, a primeira reunião, inclusive. Quando saímos da sala dele, sabíamos que ele era o cara certo pra nos guiar nesse novo caminho. Só temos elogios para ele. Foi foda!

PVIP: Vocês lançaram um single acústico apostando na identificação maior do público. Como foi que vocês chegaram a essa conclusão?

CR: O Paulo chegou com a ideia de fazermos uma música acústica, sincera e simples para que pudéssemos atingir um maior número de pessoas, afinal é perceptível, principalmente em rádio, que a música acústica ocupa um grande espaço devido a essa simplicidade. Foi aí que aceitamos o desafio e chegamos à música “Perdão”.

PVIP: Há muito tempo se comenta sobre uma crise do gênero rock dentro do que se consome nos cenários mainstream. Como vocês, artistas independentes, conseguem driblar esse cenário?

CR: A questão talvez não seja driblar e sim, abraçar esse fato. Muitos estilos que antes estavam num nicho muito fechado, como funk, sertanejo e electro-brega, hoje estão extremamente em alta no Brasil e cabe a nós, bandas de rock, respeitar esse momento e saber visualizar isso como uma oportunidade. As bandas de rock hoje estão buscando novas sonoridades, que é revigorante pro gênero. E por estar no underground, elas se sentem mais livres para seguir musicalmente dessa forma. Mas em meio a toda essa onda, ainda falta a famosa “atitude rock’n roll”, atitude essa que todos os outros artistas, sejam de pop ou hip-hop estão se apropriando de maneira intensa e atualizando pros dias de hoje, por isso, chamam a atenção do grande público. Talvez, essa seja nossa maior missão, buscar atenção dentro desse espaço que temos, revivendo essa atitude forte e única de maneira artística a ponto de nos destacarmos por isso.

PVIP: Mesmo nos tempos das plataformas de streaming, uma gravadora faz falta? Vocês possuem alguma estratégia de divulgação do material de vocês?

CR: As plataformas de streaming facilitaram muito a vida das bandas e artistas. Hoje, você facilmente consegue gravar até em casa e soltar teu trabalho pela internet. Isso fez com que a forma que a música chega ao público mudasse de maneira absurda, é mais viável lançar um single hoje do que um cd, por exemplo. Com essa mudança, as gravadoras estão sentindo a necessidade de se reinventarem e mudarem o planejamento que vinham construindo até então. Digamos que, no geral, não é necessário uma gravadora para atingir um público maior. Porém, ainda assim, eles possuem uma grande credibilidade no meio midiático, que traz ao artista ou banda, grande visibilidade e gera desde grandes shows até grandes orçamentos para clipes e afins.

PVIP: Além das próximas faixas do EP, a banda tem algum plano futuro em mente, como clipes, shows ou um trabalho físico?

CR: Estamos nos programando para lançar um clipe ainda esse ano e estamos na produção de um próximo EP.