ENTREVISTA: Diego Moraes lança novo álbum e conta detalhes do processo criativo

Imagem: Cisco Vasques

Uma das promessas da nova música popular brasileira, o cantor Diego Moraes lança o segundo disco de sua carreira. No álbum “#Équeeuandodeônibus”, o artista passeia entre o pop e o jazz e reflete sobre as dores e delícias do cotidiano.

Revelado no programa “Ídolos”, versão brasileira do “American Idol” exibida pela Record TV de 2008 a 2013, o artista seguiu vertentes diferentes do mainstream e desafiou diversos padrões, tanto nas letras, quanto na sua expressão estética, agregando caráter de resistência à sua arte.

O novo trabalho, cujo primeiro single, “Muderno”, já alcançou mais de 400 mil views no YouTube, é o primeiro em que Diego mostra canções de sua autoria. Ele, garante, quer fazer música que fala com o povo. Nessa entrevista, o rapaz conta as próximas novidades da carreira e destrincha um pouco das suas fontes de inspiração. Com a palavra, Diego Moraes!

Poltrona Vip: De onde veio a inspiração para as músicas do álbum #Équeeuandodeônibus”?

Diego Moraes: O título do disco é uma frase do single “Muderno”. Um dia, um amigo num buteco me perguntou: ‘E aí, Diego… o que você tem feito na vida?’, respondi ‘Olhado muito pro céu’, ele perguntou por quê, eu respondi ‘É que eu ando de ônibus’. A hashtag é porque na época eu fotografava muito quando andava de ônibus e quis concentrar as fotos no Instagram, achei legal e coloquei no nome do álbum. Esse disco veste muita gente por conta de ser um reflexo irônico de um cotidiano comum de uma pessoa tentando viver feliz diante de todos os problemas que estamos atravessando no país. É um álbum dançante, mas que fala de dor. Eu estava vivendo várias fossas não só sobre amor, mas sobre vida profissional e sobre futuro e como eu só sei cantar, tive que dar um jeito de sair dessa. Assim como o samba, eu queria que as pessoas dançassem com essas letras doloridas. Uma forma irônica de comunicar que “vai ficar tudo bem” como sempre fica. De algum jeito.

PVIP: Como artista com uma proposta mais alternativa, o mercado atual da música pop te inspira? De que maneira?

DM: Tanto me inspira que considero o álbum bem Pop. Estudei um pouco de música em conservatório, e músico de conservatório radical é chato pra caralho em relação ao que seria “música boa” e acabou que fui criado ouvindo “música boa”. Mas daí a criança viada pousou em meu ser e eu queria rebolar a todo o momento. Foi quando meu amiguinho de infância me ligava pra tomar Toddy gelado na casa dele e ficávamos dançando É o Tchan escondido a tarde toda. Então eu fui criado cantando “Jesus Alegria dos Homens” no coral e estudando “Mozart” no piano, mas dançando É o Tchan escondido. Acho que a vida é bem mais feliz gostando de coisas, das coisas, então eu tô gostando.

PVIP: Como você enxerga os realities musicais hoje em dia e quais mudanças a sua participação no Ídolos trouxe para a sua carreira?

DM: Enquanto as emissoras não lançarem um reality de compositores para revelarmos a Nova Música Brasileira de Resistência, não teremos nada novo sob o sol. As emissoras perdem a grande oportunidade de ouvir o que as pessoas têm a dizer através da música. Só continuaremos assistindo a reprodução do que já existe e o pior: em inglês. Eu amei participar da minha edição do “Ídolos” porque além de infinitos aprendizados, não cantamos músicas em inglês. Não tenho preconceito com cantar música em inglês, mas só 5% da população do país entende.

PVIP: Sobre o processo de composição de suas músicas e sua sonoridade, como isso vem? Você pensa na melodia primeiro ou a letra vem antes?

DM: Não me considero um bom compositor. Sou rodeado de contemporâneos amigos compositores geniais então eu prefiro não escrever. Quando eu mostro alguma coisa é porque estava entalado mesmo. Músicas só saem daqui de anos em anos mas quando ela vem, vem tudo junto. A última que compus nasceu no banho. Não acredito em processo, mas me boicoto dizendo porque acabo vivendo um processo no meu cotidiano que é bastante intenso por ter sol em câncer e lua em leão, então as músicas vêm disso (risos). Quando vêm…

PVIP: Contribuições com outros artistas estão super em alta e, às vezes, eles nem compartilham do mesmo estilo musical. O legal é que o resultado muitas vezes é ótimo! Pensando nisso, há algum artista que você gostaria de colaborar? Quais?

DM: Amy Winehouse porque compactuo com ela na falta de inteligência emocional e com Elza Soares pela garra.

PVIP: Há alguma coisa dos seus próximos projetos que você pode contar pra a gente? Vai ter clipe? Vai ter a “#ÉQueEuAndoDeOnibusTour”?

DM: Vai ter clipe sim! “Demodê” (próximo single) inevitavelmente ganhará um clipe. E vai ter tour, com certeza. Em São Paulo, me apresento amanhã (22) no JazzNosFundos. Depois vou para Belo Horizonte, em Julho. Logo mais teremos mais novidades.

Reportagem: Otávio Pinheiro

Serviço

Ladies First e Diego Moraes

22 de junho, a partir das 22h

JazznosFundos / CCMI

Rua Cardeal Arcoverde, 742 – São Paulo/SP

Ingressos a R$33