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Entrevista: Renan Cavolik conta mais sobre “Colo”, inspirações e papel no movimento LGBT

Renan Cavolik, destaque da última edição do The Voice Brasil, lançou na última semana a faixa autoral “Colo”, que traz uma pegada bem sensual numa batida muito boa e já está disponível em todas as plataformas digitais. O clipe, que a gente já assistiu com exclusividade, será lançado no dia 3 de junho.

“Colo nasceu logo depois que eu saí do programa do The Voice Brasil. Ela já tava na minha cabeça, mas eu comecei a trabalhar depois da minha eliminação. O Douglas Camppos é um compositor do Rio de Janeiro, ele é maravilhoso, ele também apareceu na minha vida por causa de outro trabalho e a gente começou a conversar e sentar pra compor mesmo e “Colo” nasceu dessa união. Então, claro que foram coisas da vida eu tava até vivendo um relacionamento quando eu escrevi teve um pouquinho de influência nisso mas depois com a produção de Vinicius Nage a gente conseguiu alinhar ele da melhor forma de produção.”, conta Renan.

Imerso em música pop, o cantor confessa que buscou levar para dentro do projeto um pouco das influências internacionais que tem e que se encaixavam perfeitamente com a música. “Eu queria que o som eu queria que a música fosse madura, que ela mostrasse um amadurecimento musical depois de eu ter participado do programa. Eu tinha três músicas lançadas, mas elas não eram tão maduras nem tão comerciais quanto “Colo”. Então, eu comecei a ouvir bastante coisa, eu claramente vivo no mundo pop e as grandes referências que eu queria trazer para o meu trabalho, e eu consegui fazer isso, de “Dangerous Woman” da Ariana grande e “Crazy in Love” da Beyoncé, do 50 Tons de Cinza, que são coisas que eu gosto muito e até conversa com a versão de K.O (Pabllo Vittar) que eu fiz pro The Voice, que as pessoas já enxergaram de uma outra forma e que foi bastante marcante.”

E a ideia de amadurecimento não ficou só no single. Renan também trabalhou para que o clipe tivesse uma pegada mais madura desde a roteiro até aspectos mais técnicos como cor e cenários. “Eu quis retratar situações que a gente vive. Então, tipo assim, os matchs do Tinder, os dates que não são certo. Porque o que as pessoas vão esperar dessa música um clipe muito carregado, com carão, com aquela energia pesada e eu não sou esse tipo de pessoa totalmente. Eu tenho esse lado, mas eu quis mostrar algo criativo que fugisse um pouco do óbvio pro clipe”, conta. “Eu queria que a estética também aparecesse bem madura. É essa palavra, sabe? Eu queria amadurecer musicalmente visualmente pras pessoas começarem a prestar atenção e falarem “Caramba, esse cara tem alguma coisa que eu gosto.””

“Freddie Mercury é minha maior referência, tenho uma ligação espiritual com ele, sei lá, a Beyoncé e eu tenho uma coisa muito forte com a IZA. A IZA é uma pessoa que eu olho e falo assim “Cara, ela não é gigantesca, mas mas ela tem o alcance que eu trabalho para ter”, sabe? O melhor é qualidade que tem por trás do trabalho, você entende isso? Acho que é o mais importante, que é o que eu sempre trago também. Você ter esse alcance, mas ter uma base, seu trabalho ser forte ali, entendeu? Ele não se desmoronar por qualquer coisa”, conta Renan, que destaca ainda IZA, Gloria Groove e Pabllo Vittar como as personalidades da música atual que ele gostaria muito de colaborar.

Renan também ganhou reconhecimento após participar do reality The Voice Brasil, na Rede Globo, no ano passado e desde lá vem trabalhando para que mais pessoas conheçam o seu trabalho. Super ativo nas redes sociais, Renan gosta estar antenado e de usar o talento para dar cara nova a canções já conhecidas pelo público. A mais recente foi uma versão “consertada” da faixa “Juntos” (E Shallow Now), de Paula Fernandes e Luan Santana. “Eu amo de paixão quando consigo transformar uma música em algo que as pessoas não esperam. Aconteceu isso com “K.O”, “Crazy in love” agora deu com “Juntos”. E é super bizarro quando você super se prepara, faz uma pesquisa gigantesca, decide repertório coisas desse tipo e lança a sua versão ela não vai tão pra frente quanto uma coisa espontânea, sabe? Esse de “Juntos” foi extremamente espontâneo. A música nem tinha saído direito, eu vi um tweet e pensei “Meu, vou dar uma consertada, vou deixar isso musical” fui lá e fiz rapidinho antes de sair de casa e soltei no dia seguinte tínhamos 800 mil visualizações.”, conta.

Ainda sobre os covers, Renan conta que os seguidores curtem tanto a roupagem nova que ele dá às canções que acabam dando sugestões e pedindo outras músicas. Porém, o artista gosta de fazer com que tanto as versões quanto as autorais conversem entre si. “As pessoas dão sugestões de músicas, mas eu gosto de fazer aquilo que conversa com quem é o Renan o autoral também, sabe? O Renan que canta as próprias músicas tem que conversar com o Renan que canta e que é o intérprete de outras músicas, de outros cantores. Então, eu quero trazer isso da melhor maneira possível pro meu trabalho.“, conta Renan, que finaliza dizendo que depois que lançou “Colo”, as pessoas pararam de pedir canções de outros artistas. “Eu lancei colo e as pessoas pararam de pedir outras músicas, elas querem Colo, Colo, colo eu acho isso demais sabe? Mas as versões elas virão só pra pincelar algum experimento musical que eu quero fazer alguma pegada que trazer pra minha música pro meu estilo e que vai agregar. Então, eu deixei nessa parte de escolhas assim bem aberto agora não tenho uma música assim super na cara pra fazer uma versão, mas eu amo esse tipo de desafio.”, finaliza.

Formado em design gráfico desde 2015, o cantor conta que sempre esteve imerso em música desde pequeno. “Influência dentro de casa é total! Meus pais cantam também, mas foi uma troca que a gente teve durante a infância e tal. Na minha família tem uma galera que canta e que adorava karaokê e então em todas as festas tinham e eu ficava me segurando pra soltar a voz, sabe?“, diz. “O meu sonho é que as pessoas consigam escutar a minha voz e isso acontece sempre que eu canto. Então, tem essa troca muito rápida, é muito rápido e as frustrações também, né? Por que quando a gente quer ser ouvido e as pessoas não dão tanta atenção é horrível, gente! Nós artistas somos muito sensíveis e qualquer coisinha já deixa pra baixo, já dá um desânimo, mas tem alguns momentos que é tudo recompensado e não tem nem como explicar!”, explica.

Na parte da composição, o cantor confessa que se identifica muito com as músicas mais tristes. “Eu sempre meio que pensei em músicas, só que não tem muito tempo que eu venho escrevendo e me dedicando para fazer esse repertório. E se dependesse todas as minhas músicas seriam tristes, sabe? Eu me identifico mais com esse lado melancólico. E com “Colo” foi bem diferente porque eu comecei a explorar um outro lado mais sensual, o lado comercial da música, uma coia que fica na cabeça das pessoas. A galera ta super respondendo que escutam “Colo” e dá uns minutinhos e tá na cabeça “É tudo seu, meu colo” [cantarola].”, conta Renan, que garante que já tem algumas composições mais tristes, mas que se misturam também com a sensualidade que deu a “Colo”.

Além disso, Renan considera o processo todo muito natural. Ele conta que acontecem coisas que logo o inspiram a escrever novas canções, mas também tem coisas que gosta de sentar com outras pessoas e conversar sobre o tema para buscar inspiração. “O Douglas mesmo está e ajudando horrores com as composições. Tem coisa que eu falo assim “Amigo, aconteceu isso, isso, isso e isso vamos escrever?” e aí a gente vai escrevendo. Ele é um gênio da composição e tá funcionando dessa maneira, sabe? Sempre mando pra ele coisas que eu escrevo pra ele dar essa lapidada.”, diz Renan destacando a importância da parceria dom Douglas Camppos, que acabou virando um amigo após trabalharem juntos.

Ciente do seu papel dentro do movimento LGBT, o cantor acha importante trabalhar na transparência na pois não quer que o público desconfie nem dele e do seu trabalho e por isso dá a cara a tapa pela comunidade. “Hoje em dia você encontrar artistas que se posicionem nesse movimento LGBT, porque pra mim é o que a Pepita sempre fala, eu vivo debaixo dessa bandeira todos os dias e querendo ou não as meninas, as drag queens, elas recebem ali na linha de frente o tanto de gente falando mal, o tanto de gente fazendo as coisas e ninguém sabe como que é dificil pra um artista LGBT meio que se posicionar. […] É dificil você ver um artista pop masculino que não tenha um personagem drag queen, não faça parte do movimento das drags, mas continua sendo LGBT, ele não ter medo de se expor.”, diz. “A principal coisa que eu quero é que as pessoas que se identifiquem com o meu trabalho, se identifiquem com o que eu sou e que vivam debaixo da mesma bandeira elas possam sair na rua sorrindo escutando uma musica de qualidade e tendo a certeza que tem alguém ali trabalhando pra dar voz pra elas.”, finaliza.

Iniciando uma nova fase da carreira, Renan está cheio de planos. O trabalho com “Colo” ainda está no início, o clipe sai no próximo mês, mas o cantor adianta que podemos esperar muitos lançamentos para os próximos meses. “Eu tô cheio de lançamentos pros próximos meses e anos. Podemos falar assim, nesse âmbito, que meu trabalho agora engatou, eu fiquei muito tempo até depois do programa escolhendo esse repertório, fechando coisas assim e já tem coisa sendo produzida então esperem uma linha de produção muito rica, muito bem feita, muito bem amarrada”, conta.

Escrita por Otavio Pinheiro

Apenas mais um jornalista apaixonado por cinema e papelarias.

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