Entrevista: Valesca Popozuda fala sobre o funk e a música nova, “Meu Ex”

Imagem: Divulgação/Instagram

Ela nasceu em Irajá, bairro da Zona Norte do Rio de Janeiro. A um mês de completar 40 anos, sua história não se difere da de muitas mulheres do país. Trabalhava como frentista para sustentar o filho, que hoje tem 18 anos, até o dia em que resolveu se aventurar numa ideia que a transformaria em um ícone de um dos maiores movimentos do Brasil.

Em 2001, Valesca dos Santos vira Valesca Popozuda, dançarina e, posteriormente, vocalista da Gaiola das Popozudas, o maior grupo feminino da história do funk. À frente do conjunto, ela lançou canções como “Late Que Eu Tô Passando” e “Agora Eu Tô Solteira”. Há quatro anos, se lançou em carreira solo, seguindo a tendência natural dos cantores cujos nomes se tornam mais populares que os de seus grupos.

Nos 17 anos de carreira, Valesca participou de reality show, posou nua ao lado de uma foto do ex-presidente Lula, assegurou o bumbum por um valor milionário e lançou alguns hits controversos. Mas mais importante: seus discursos e suas canções ajudaram a levantar debates sobre feminismo, direitos LGBTTQ+ e, principalmente, a valorização do funk como patrimônio cultural.

No mês passado, Valesca voltou a lançar um “proibidão”, funk de cunho explícito para celebrar a carreira. Nessa entrevista, ela fala de “Meu Ex” e muito mais temas que envolvem sua trajetória e o funk!

Poltrona Vip: Você lançou a música “Meu Ex”, que é um funk proibidão. Apesar de ter sido um pedido incessante dos seus popofãs, essa decisão foi pensada também em relação ao mercado? Você acredita que existe mais espaço pros funks explícitos hoje em dia?

Valesca Popozuda: Eu amo meu passado. Estou fazendo 17 anos de carreira, eu queria comemorar dando de presente algo legal pro meu público. Nada mais justo que lançar o que me lançou, né? E eu amo que o público ame! (risos)

PVIP: A Valesca de “Quero te Dar” e “Larguei Meu Marido” está de volta? Seus fãs podem esperar mais funks proibidões ou “Meu Ex” foi um lançamento especial?

VP: Tem mais surpresas vindo! Aguarde que mais cedo do que vocês imaginam tem surpresa para vocês.

PVIP: “Meu Ex” é uma composição da Ludmilla, que tem uma origem no funk muito parecida com a sua. Como surgiu a parceria e como foi o processo criativo entre vocês duas?

VP: Ela que criou, ela é fera em canetar. Eu falei “tem nada pra mim não?” (risos). E ela me mandou esse presente! Ela é maravilhosa.

PVIP: Você é uma das pioneiras do funk feminino e ajudou a elevar o gênero a nível nacional ainda nos anos 2000. Como é sua relação com as artistas da nova geração? Que tipo de conselho ou dica você troca com elas?

VP: Eu costumo dizer que todas que estão chegando não podem ter medo de nada. O mercado era muito masculino e as mulheres chegaram com tudo! Não pode baixar a cabeça pras críticas e nem dar ouvidos pra nada!

PVIP: No início da sua carreira, você surgiu com um discurso firme e empoderado, longe de performar a doçura e a delicadeza que a sociedade espera de uma mulher. Esse tipo de posicionamento te ajudou a se firmar enquanto MC? Nos dias de hoje, você sente que o mercado do funk abraça as MCs mulheres de forma genuína?

VP: Sim. De começo eu sofri muito preconceito por conta de ser uma mulher no proibidão. Hoje em dia, é muito mais fácil. O público está mais aberto e mais acessível. Isso ajuda muito.

PVIP: Muitos artistas que começaram no funk fizeram uma completa transição para o pop. Apesar de flertar muito com o gênero, você se manteve fiel às suas raízes. Por que essa decisão? Se manter como representante do “funk raiz” te fecha portas de alguma forma?

VP: Eu amo o pop. Acho que muitas fazem brilhantemente essa transição, porém nunca foi meu foco e objetivo! Eu canto do proibidão ao sertanejo, mas a minha raiz é o funk e ponto!

PVIP: Você sempre foi aclamada por músicas de cunho feminista, mas nos últimos anos, seu discurso perante o assunto parece mais fortalecido, especialmente na questão da sororidade. Isso alterou, de alguma forte, o conteúdo das músicas e clipes?

VP: Sim, hoje eu tenho um entendimento melhor do meu papel como mulher e como voz feminina no funk, então, trouxe isso pras minhas músicas!

PVIP: A repercussão do vídeo de “Beijinho no Ombro”, em 2014, contribuiu para o fortalecimento do mercado de clipes. Você palpita no roteiro dos seus clipes? Se sim, que tipo de referências você busca para essa construção?

VP: Palpito, levo ideias e gosto de assistir a muitos clipes lá de fora pra pegar referência quando necessário!

Quais gêneros musicais você ouve? Qual música está bombando na sua playlist nesse momento?

VP: Ouço sertanejo, funk, pop (risos). Vai tocando e eu vou ouvindo.

PVIP: O mercado tem funcionado melhor com singles avulsos, mas os fãs sempre pedem uma obra completa. Os popofãs podem esperar um álbum ou um DVD para o próximo ano?

VP: É meu sonho concretizar isso! Eu luto pra que isso se torne real.