RESENHA | Origem – Dan Brown

A ação supera de longe o brilhantismo da narrativa

Quando pegamos um livro de Dan Brown – especialmente uma aventura de Robert Langdom – sabemos exatamente o que esperar: um assassinato “impossível”, códigos a serem desvendados, ação corrida por várias locações artísticas famosas, um(a) traidor(a), uma bela e inteligente mulher acompanhando o personagem título e uma reviravolta que muda tudo no final. E é isso mesmo que queremos e amamos.

Mas dessa vez, Brown não conseguiu alcançar as esperadas doses de surpresas e revelações de seus fiéis leitores. O início é lento, culpa talvez da assumida falta de conhecimento sobre Arte Contemporânea do personagem principal (que óbvio, na verdade é uma característica do próprio autor) e a insegurança sobre o assunto é notável nos primeiros capítulos dessa nova aventura.

Depois de pegar no tranco – não consigo pensar em outro modo de colocar -, a narrativa consegue imprimir um ritmo de ação bastante empolgante. A correria toma conta junto a uma trama muito mais política que religiosa – de longe o melhor momento do livro – onde manipulação midiática, fakenews e teorias da conspiração são debatidas como nunca e em tempo real. Alucinante ver nosso mundo atual tão preto-no-branco. Assusta e fascina.

Entretanto, a trama política não salva essa nova aventura de Langdom. Com duas revelações como norte da narrativa e fio condutor das ações do protagonista, elas são constantemente marteladas no leitor como ‘algo que acabará com as religiões do Mundo’ e bom, não são. (Obviamente não direi O QUE é, mas posso dizer que é bem brochante).

Os coadjuvantes dessa vez não impressionaram tanto, com a única exceção de Winston. Apesar que seu fim também não foi lá grandes coisas. Até mesmo a revelação final do assassinato ficou a desejar. Após meticulosamente eliminar todos os/as suspeitos/as menos um/a, o efeito dramático da descoberta foi quase anulado. (Isso, claro, pra’queles que já não sabiam quem era desde mais ou menos metade da história).

‘Origem’ prova que apesar da fórmula Dan Brown não ter se esgotado, o autor não funciona muito bem fora da sua zona de conforto. Pouquíssimos mistérios e quase nenhuma exploração da vastíssima e intrigante coleção de Arte Contemporânea do mundo – ou ao menos da Espanha, nosso cenário escolhido- revelam se não falta de conhecimento, com certeza falta de coragem do autor em se aprofundar nas obras escolhidas e citadas nesse volume. Se houve falta de confiança em si mesmo ou na capacidade de seus(as) leitores(as), jamais saberemos…

Titulo: Origem;
Titulo Original: Origin: A Novel;
Autora: Dan Brown;
Editora: Arqueiro;
Gêneros: Ficção policial, Mistério, Suspense;
Série – Volume: 01;
Número de páginas: 432,
ISBN: 9788580417661;
Ano: 2017.

Resenha escrita por Ludmilla Fadel (@ludmilla_fadel)