Mês de Maio | Victorino lança seu primeiro álbum de estúdio

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O primeiro álbum do gaúcho, intitulado Mês de maio, foi lançado sexta (19) nas plataformas de streaming e conta com 11 faixas no total. Antes do CD, o cantor já havia lançado algumas músicas como Rascunho, Férias e Mestre-sala. 

Victorino passeia por vários gêneros musicais, vai do samba à música eletrônica, mas com uma vibe bem calma. A ousadia rítmica nas composições, que possui efeitos sonoros bem experimentais, é bem visível. Pensando em toda essa diversidade musical, conversamos com o cantor sobre o seu projeto, leia abaixo:

Você mistura vários elementos desde a instrumentos a batidas mais
eletrônicas nas suas músicas. Na faixa “Sala de Atividades”, temos alguns
efeitos sonoros bem diferentes. De onde surgiu a ideia de acrescentar tais
efeitos não só em “Sala de Atividades”, mas nas outras faixas também?

Foi tudo naturalmente aparecendo durante as gravações do álbum. Em “Sala…”, particularmente, aquele som do início é um efeito “rebobinado” do beat de Mestre-Sala, mais precisamente da parte das interjeições carnavalescas “ê own, ê, ownn”. Na época, tinha um pedal de efeito de guitarra para esse propósito, e acabei tendo a ideia de passar esse beat por ele. Mas são vários efeitinhos em todas as músicas… em “Rascunho”, por exemplo, gravamos o som de eu desenhando, com lápis, uma escada e alguns rabiscos. Tem que colar de pertinho em cada som pra sacar eles…

Quais são suas influências no meio musical? Você sonha em fazer uma
colaboração com algum artista, qual?

Esta pergunta é quase que como um divã, te joga lá pro inconsciente infanto-juvenil! São fases, como tudo na vida: ouvi muito “Please Please Me” (the beatles) quando adolescente, assim como Bringing It All Back Home (Bob Dylan) e Bad (Michael Jackson). Depois, a fase da tríplice trindade começou – Fleet Foxes (Fleet Foxes), Till The Sun Turns Black (Ray Lamontagne) e For Emma, Forever Ago (Bon Iver) – ouvi esse três álbuns ininterruptamente por meses, com brechas para The Eraser (Thom Yorke), Five Leaves Left (Nick Drake) e Thinking in Textures (Chet Faker). Puts!, vou ter que colocar um desses álbuns pra tocar agora!

Reparamos que suas letras parecem contar histórias. Então, gostaríamos
de saber como funciona o seu processo de composição? Você se inspira
em algo que já viveu ou a ideia só vem?

Sou cantautor acima de tudo, um singer-songwriter. Adoro contar histórias… que eu invento, que eu vivo, que outras pessoas viveram.

Podemos notar um pouco de vários estilos nas suas músicas. Como você
define o estilo do “Mês de Maio”?

Não consigo definir com poucas palavras. O album é um apanhado de experiências vividas, de sentimentos guardados ou à flor da pele. Mas com certeza tem um pé no folk e outro no eletrônico, sempre com base em uma canção. Exatamente por conta disso, eu moldo o arranjo de acordo com o que a canção pede: se samba, um groove de drum and bass pode cair bem, ou mesmo uma mistura de dubstep com bossa nova… e assim por diante.

Quanto ao nome do álbum, houve um motivo especial para que ele fosse
lançado no dia 19 de maio e tivesse esse nome?

Sim. Tem a ver com uma história que conheci no filme chamado “Incêndios“. Na antiga Palestina, em época de guerra, os órfãos chegavam aos orfanatos sem nome, e era batizados de acordo com o dia e mês que entravam. Meu nome, por exemplo, seria Victorino Mês de Maio, já que comecei a produzir o álbum nesse mês do ano passado. É uma espécie de terretorialização em função de uma data. Senti que isso era ideal para designar uma criação em transformação constante.

Pra quem ficou com curiosidade, aí está o álbum Mês de maio do Victorino.