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Com carta aberta, Brit Marling se despede dos fãs de “The OA”

O seriado foi cancelado pela Netflix após duas temporadas.

ACABOU! Após duas temporada, a série de ficção científica e drama “The OA”, da Netflix, foi cancelada. A informação foi dada nesta segunda-feira (05), pela Variety, quatro meses depois do lançamento de sua segunda e última temporada.

“Estamos extremamente orgulhosos dos 16 capítulos hipnotizantes de The OA e somos gratos a Brit Marling e Zal Batmanglij por compartilharem suas visões ambiciosas e realizá-las com mestria incrível”, afirmou Cindy Holland, presidente das produções originais da Netflix, em comunicado. 

A Netflix não divulga dados de audiência, por isso ainda não está claro o motivo pelo qual a série chegou ao fim. “The OA” recebeu críticas positivas dos críticos, com as duas temporadas de oito episódios apresentando uma média de aprovação de 84% no Rotten Tomatoes. No Filmow a primeira temporada tem avaliação de 4.0 e a segunda de 4.4. 

A primeira temporada da produção estreou em dezembro de 2016, enquanto a segunda temporada chegou quase três anos depois, em março deste ano. A série gira em torno de Prairie Johnson (Marling), mulher cega que passou sete anos desaparecida, mas retorna com sua visão recuperada e se intitulando como The OA, contando sua jornada mística para um grupo de adolescentes locais. Na segunda temporada, a protagonista conseguiu viajar para outra dimensão, onde se envolveu na busca por uma jovem sumida. 

Além disso, a própria Marling criou a série, ao lado de Zal Batmanglij. Brad Pitt estava entre os produtores executivos de “The OA”, através de sua empresa Plan B Entertainment. A atriz publicou em seu Instagram uma carta aberta se despedindo da produção, leia na integra: 

“Queridos fãs de ‘The OA’

Alguns de vocês já devem saber ou talvez alguns de vocês estejam sabendo através desta carta que a Netflix não vai dar continuidade à The OA.

Zal e eu estamos profundamente tristes por não terminar essa história. Assim que soube dessa notícia, chorei muito. Assim como um dos nossos executivos na Netflix que esteve conosco desde os primeiros dias quando estávamos desenhando o porão de Hap no chão de nosso escritório de produção no Queens. Tem sido uma intensa jornada para todos que trabalharam e cuidaram dessa história.

Alguém me perguntou uma vez num painel: “por que você é tão obcecada com ficção científica?”. Eu não tinha percebido que era “obcecada” ou mesmo que a maioria das narrativas que tinha escrito até ali era dentro do gênero de ficção especulativa. Fui pega de guarda baixa. A pergunta tinha soado um pouco como acusação de alguém que não gostava do gênero, então acho que só disse algo como: “ahn… é divertido construir um mundo?”. Mas tenho pensado muito sobre aquela pergunta desde então e acho que a resposta mais próxima da verdade é essa:

É difícil ser inspirada a escrever histórias sobre o mundo “real” quando nunca se sentiu livre neste mundo. Como uma mulher escrevendo personagens para mim mesma e para outras mulheres, sempre me pareceu como se as estradas pavimentadas para viajar numa narrativa são limitadas. Talvez um dia eu esteja envolvida o suficiente como autora para pavimentar minhas próprias estradas na “realidade” (Eles Gestante!), mas até aqui me senti muitas vezes frustrada. Posso escrever sobre as poucas mulheres “no topo”, mas então vou estar perpetuando a mesma hierarquia que nos oprime (e simplesmente pedindo para desviar a opressão para outra pessoa). Posso escrever sobre a grande maioria das mulheres no fundo econômico, mas o poder de movimentar imagens e atores carismáticos muitas vezes glamorizam ou perpetuam os mesmos estereótipos que filmes esperam criticar. Posso escrever sobre mulheres que se autodepreciam que expõem as abundantes desigualdades entre os gêneros em troca de uma boa risada, mas então, como Hannah Gatsby apontou em sua brilhante história Nanette, estou, de alguns modos, trocando minha humilhação por meus cheques de pagamento e pela chance de conseguir entrar.

Ficção científica limpou este mundo “real” como um quadro mágico. Ficção científica disse “imagine qualquer coisa em seu lugar”. E assim fizemos.

Nós imaginamos que o coletivo é mais forte que o indivíduo. Imaginamos que não existe herói. Imaginamos que as árvores de São Francisco e um polvo gigante pacífico tinham vozes que podíamos entender e deveríamos escutar. Imaginamos humanos como uma espécie entre muitas e não necessariamente a mais inteligente ou mais desenvolvida. Imaginamos movimentos que juntaram pessoas improváveis no mesmo cômodo, fazendo elas se moverem, fazendo elas ficarem dispostas a arriscar vulnerabilidade pela possibilidade de pisar em outro mundo.

É isso que “The OA” tem sido para Zal e eu e todos os outros artistas que se juntaram a nós. A chance de pisar em outro mundo e ser livre nele.

Somos muito gratos à Netflix e às pessoas com quem trabalhamos para tornar possível fazer Parte I e Parte II. Somos orgulhosos dessas 16 horas descompromissadas. Na maior parte, milhões de milhões de vocês nos deu este senso de orgulho por assistir – com comentários que deixaram, as artes que fizeram, as teorias no Reddit que espalharam, os movimentos que fizeram em praças públicas, quartos, boates e quintais por todo o mundo.

Enquanto não podermos terminar essa história, posso prometer a vocês que contaremos outras. Não descobri nenhum outro mecanismo de enfrentamento eficaz para estar viva no antropoceno. E talvez, de alguns modos, tudo bem não concluir esses personagens. Steve Winchell estará suspenso no tempo nas nossas imaginações, evoluindo infinitamente, para sempre correndo atrás e finalmente alcançando a ambulância e OA.

Com amor,

Brit”

O elenco ainda era formado por Jason Isaacs, Emory Cohen, Scott Wilson, Alice Krige, Patrick Gibson, Brandon Meyer, Brandon Perea, Ian Alexander, Kingsley Ben-Adir e Phyllis Smith, além de participações de Zendaya e Riz Ahmed. As duas primeiras temporadas de “The OA” estão disponíveis na plataforma de streaming.

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