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Entrevista | Alex Albino fala mais sobre “Casmurro”, lançamento de EP e composição

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ALEX ALBINO CASMURRO

O cantor e compositor Alex Albino lançou no último mês o clipe de “Casmurro”, faixa está disponível em todas as plataformas digitais e faz parte do ainda não lançado primeiro EP do artista, o “Mercúrio”. Embora o videoclipe tenha chegado apenas em maio, a produção já havia sido gravada em dezembro do ano passado. A pandemia acabou atrapalhando um pouco nosso cronograma de lançamentos, mas eu acredito que tudo acontece na hora que tem que acontecer, então foi lançado agora.”, conta o artista, que completa dizendo que é a segunda música lançada do EP e a primeira em português.

A inspiração para o nome do mais recente lançamento surgiu após Alex ganhar um dicionário de um amigo com algumas palavras circuladas, que descreviam características da personalidade do cantor e compositor paulista. Uma delas era “Casmurro”, que significa teimoso. “É a mais autobiográfica, é a que eu mais coloco pontos da minha personalidade, como a própria palavra que dá nome à música já traduz. Eu tenho um sentimento muito grande por ela, uma curiosidade sobre ela é: foi composta no meu primeiro violão – não quando eu ganhei o meu primeiro violão, porque eu era muito pequeno, mas foi composta no meu primeiro violão. Acho isso muito simbólico, pelo significado tão pessoal que a música tem pra mim. Outro fato curioso é que foi a primeira a ser gravada lá no estúdio que a gente gravou em Nashville, no estúdio Bombshelter, mesmo estúdio que o Alabama Shakes gravou e outros artistas também. Ela foi o ponto de partida pra gente estabelecer timbres, o jeito que a gente ia gravar, foi o ponto de partida da gravação.”, explica.

“Casmurro” ganhou videoclipe gravado em Alagoas, que não era o lugar pensado inicialmente para a produção do projeto, mas acabou significando muito para o artista. “Não tava no nosso plano inicial gravar em Alagoas, mas quando as coisas foram se encaixando, fez muito sentido a gente retratar isso lá em Alagoas, terra do meu avô, e representa tanto o Brasil, fiz questão de gravar lá por isso também, já que é a primeira música lançada em português. […] A gente acabou gravando em uma comunidade quilombola, chama comunidade Pixaim, fica em Piaçabuçu, rolou uma catarse ali durante a gravação, foi muito profundo e muito legal, foi muito impactante ver uma realidade tão diferente das nossas. Com certeza mudou muita coisa dentro de mim. Já rolava a emoção toda do clipe estar acontecendo, não foi muito planejado gravar lá, mas no final das contas foi essencial a gente ter passado por ali, tudo foi se encaixando pra dar certo.”, conta o artista, que completa dizendo que fez questão das simbologias e detalhes que lembram o nordeste.

“A produção do clipe em si foi uma “megaprodução” de cinco pessoas, incluindo eu. Foi tudo feito com muito amor e muito carinho por pessoas talentosíssimas, o que acaba refletindo num resultado tão bonito. Tá sendo muito bem aceito pelo público, pelas pessoas que me seguem, que tem acompanhado o trabalho, todas elas gostaram muito, apesar de ser uma estética muito, mas muito diferente do primeiro, “AA Song”. A ideia também foi de usar o mesmo time, Alex, Bia e Gabriel Novis, o diretor, de usar esse trio novamente em “Casmurro”, mas mostrando algo completamente diferente em relação ao primeiro vídeo. Existe uma ligação, inserida em pequenos códigos, pequenos detalhes. Um detalhe da cor, um detalhe da cadeira. Mas eu já tô revelando segredos.”, completa.

Sobre as referências musicais, Albino conta que sempre quando é perguntado acaba esquecendo de um ou outro, mas garante que tem muitas referências de artistas de gêneros diferentes, de estilos diferentes. “O que mais pode se tornar uma referência musical pra mim, talvez seja o impacto da apresentação que aquele ou aquela artista vai ter. Por exemplo, gosto muito de música clássica e tem muita referência musical pra mim que vem de música clássica, mesmo que isso não esteja explícito, mas em uma certa camada tem um que. Acho que Little Richard é uma grande referência musical e performer também. Tina Turner, sem dúvidas. Janis Joplin, Rolling Stones, Beatles, Amy Winehouse, Elton John. Tô falando os mais pops assim, né. James Brown, gosto demais de Rod Stewart, acho sensacional. Arctic Monkeys, Phoenix, Lana Del Rey, que mais? Nossa, gente, a gente vai abrir uma tacada de coisas: Mumford & the Sons, Florence and the Machine, tenho ouvido bastante Mac Demarco também.”, diz. “Nossa, e aí vai e tenho certeza que ainda vou esquecer de muita coisa. Vou parar por aqui porque já tem muita coisa.”” completou.

Assim como a lista de artistas que têm como referência, a lista de artistas com quem gostaria de realizar colaborações também é bastante extensa, além de misturar artistas de diversos gêneros. “Gostaria muito e fazer com Tom Waitts, Rodrigo Amarante também acho sensacional. Lady Gaga seria incrível. Tem diversos artistas novos também que eu amo e adoraria fazer. Acho que Leon Bridges, gostaria muito de fazer alguma coisa com ele. Todos esses, né? Acho que são sensacionais, incríveis e ficaria muito feliz. Edward Sharpe and the Magnetic Zeros também, seria incrível, amo o som deles. A sonoridade deles me atrai tanto que o EP foi masterizado pelo mesmo cara que fez a masterização do EP deles. A Bishop Briggs, ela é demais, é incrível. Benjamin Clementine eu amo, amo, amo.”, conta.

Albino conta que o processo de composição mudou com o tempo, mas ainda assim letras e melodias surgem naturalmente. O cantor destaca também as músicas que apenas surgem e as que são encomendas, dois processos completamente diferentes. “Compor nada mais é do que contar uma história e a composição sempre foi muito mística pra mim. Era algo que de repente vinha, eu já cantarolava, saia fazendo a música e eu tinha um lance que se eu parasse a música ou mostrasse ela pra alguém, eu jamais conseguiria terminar de compor aquela música. […] Então eu tenho muita música feita pela metade, muita música quase finalizada e eu nunca mais voltei pra elas.”, diz.

“Com o passar do tempo a composição acabou se tornando algo mais natural e eu comecei a fazer, por exemplo, música por encomenda. Um amigo me ligava, falava ‘ah, cara, eu preciso de uma música pra botar trilha sonora num filme, faz pra mim pra amanhã’, aí eu ia atrás da história. […] É como se fosse um personagem que eu estivesse interpretando no cinema, então eu coloco ele pra dentro da música. Eu tenho um lance pra compor, muitas vezes eu componho a música por causa de determinado instrumento.”, explica.

“A música, pra mim, sempre nasce da melodia. Ela não nasce do poema, eu não escrevo e depois eu vou musicar aquele poema que eu escrevi. Não, ela já nasce da melodia, muitas vezes vem os dois juntos, a melodia e a história, já sai. Muitas vezes eu compus músicas tomando banho, é um momento que não sei o que dá, eu saio fazendo música quase todos os dias. Saio cantando e já vem a letra, já saio com o tema. E eu já tive sucessos, grandes hits incríveis – na minha opinião, óbvio – que eu não gravei, não me lembro, não recordo, porque estava tomando banho. Na hora que pegava o celular pra gravar, com a mão molhada e etc., a música sumia. Hoje, tem um pouco das duas coisas, o lado místico de ‘ah, a música nasceu!’ e também o lado encomenda. Eu tenho que fazer uma música essa semana, por exemplo, pra um filme de campanha publicitária. Aí vai nascer mais uma música por encomenda e que aí não tem chance para o misticismo de esperar a inspiração chegar. É sentar e fazer.”, finaliza.

Neste período difícil que o Brasil e o mundo enfrenta, o artista conta que têm tentado manter a sanidade trabalhado muito no EP e em um novo single, que chegaria acompanhado de videoclipe, mas teve planejamento alterado por conta da pandemia. “Vamos ter que, mais uma vez, aprender no caminho como a gente faz, se lançamos sem o clipe, inventamos outros.”, comenta.

“Temos trabalhado muito nessas questões de planejamento, de execução, de como a gente vai fazer, além de alguns shows por live, fora as que faço nas minhas redes sociais pra entreter o público, estar em contato com eles e principalmente pra conhecer gente nova. Nossa classe artística sempre foi muito desunida, tem algumas iniciativas pouco poética e não muito práticas de tentar se unir e etc. Eu tenho tentado muito, estou em contato com alguns outros artistas nessa fase, no não mainstream, e de estar ralando, trabalhando e com os planos surpreendidos pelas quarentena. Eu confesso que eu tentei logo no início da quarentena praticar um pouco mais de piano, porque é um instrumento que eu não domino e eu gostaria muito de melhorar a tocabilidade nele, mas eu não tenho conseguido. Não tenho conseguido mesmo. Sempre surge alguma coisa nova, uma live para preparar. Isso é ótimo, nos mantém ativos. Nesse sentido eu adoro, de estar ocupado com o trabalho. Por mais que muitas vezes a gente não esteja sendo remunerado com isso, mas a gente têm criado artifícios aqui pra conseguir manter tanto a sanidade, quanto as contas em dia nesses tempos aí de pandemia que são assustadores.”, conta.

Sobre o momento atual, muitos artistas estão realizando lives beneficentes nas plataformas, shows patrocinados por grandes marcas e Albino comenta sobre a importância dessas marcas apoiarem artistas que não estão no mainstream e precisam desse reconhecimento. “Eu sou um cara que veio dos palcos, então eu vivo dos shows, é o principal ganha pão. Então isso é uma coisa que a gente realmente tá sem resposta e tá se adaptando, mas a gente não sabe até quando isso vai acontecer, até quando isso vai virar. Gostaria muito que as grandes marcas que tem grandes poderes, tanto aquisitivo quanto de influência, pudessem dar uma olhada pra galera que não tá no mainstream. Porque é muito fácil pegar alguém super famoso, super estourado pra fazer uma live e pagar uma fortuna. Mas e os artistas emergentes, que ainda não estão sobre esse mesmo holofote, sabe?”, diz o artista que completa dizendo que as empresas poderiam olhar mais por outros artistas. “Poderia rolar um olhar das grandes marcas e potências que bancam essas grandes lives, com a grana que dão pra um artista, poderiam dar pra vários. Isso disseminaria a música, ajudaria e estaria apoiando a causa artística. É muito mais interessante fazer isso, no meu ponto de vista, se eu fosse uma grande marca, fazer isso. Mas, é óbvio, tô olhando do lado de cá, de quem tá sofrendo com essa turbulência que a gente tá vivendo agora.”, completa.

“Eu farei sempre trabalhos novos, estarei sempre em contato com o público que em acompanha, que me segue, me cobra. […] Estar em contato com o público mesmo que online é uma coisa que me inspira, me mantém ativo e querendo criar coisas novas.”, diz Albino. “Eu me dedico ao máximo possível pra entregar qualidade no que faço, porque já que as pessoas se dispõem a estarem comigo por um tempo, seja o tempo de uma música, o tempo da live, já que elas se dispõem e participam desse processo construtivo da minha carreira, eu me dedico o máximo possível a entregar um trabalho com qualidade. E é esse trabalho de qualidade que agora está comprometido porque a gente tem que tentar entregar essa qualidade de dentro das nossas casas.”, termina.

O cantor e compositor finalizar o bate papo com a Poltrona Vip mandando um recado especial para os fãs, público fiel que o acompanha, e também para um público novo que se interesse pela música que faz.

“Eu quero mandar um recado pra todo mundo que tá lendo e fazendo parte do processo construtivo desse foguete (risos), que estarei sempre me dedicando o máximo possível pra quem já acompanha meu trabalho e pras pessoas novas que vão chegar pra acompanhar. Meu trabalho é feito com muito carinho, quem já me conhece dos palcos sabe que eu literalmente derreto de tanto suar pra entregar o corpo e alma pra todo mundo que participa dos shows. Essa é minha missão, fazer as pessoas saírem mexidas e leves, alegres de toda parte do processo que elas estão comigo. Seja em uma live, em um show, escutando uma música. A música tem um papel muito fundamental na nossa vida, de todo mundo. Ela tem o grande poder de virar trilha sonora das nossas vidas, de um momento, de uma viagem, enfim. A música tem um grande poder e, do lado de cá, eu estarei trabalhando continuamente para entregar trilhas sonoras para os momentos importantes pras pessoas. Estarei fazendo isso com a maior dedicação, carinho, boa vontade e vou procurar entregar isso com a maior qualidade possível o tempo inteiro porque, como eu disse, as pessoas que param pra ficar comigo um pouquinho, seja três minutos e pouquinho, seja duas horas de live, elas estão ali porque elas querem a entrega e eu estarei do lado de cá preparando coisas pra entregar o melhor possível, no maior volume e voltagem de boa energia pra todo mundo.”, termina.

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