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Entrevista | “João Gabriel no Morro”: cantor lança novo EP e fala como é ser um sertanejo do Rio de Janeiro

Imagem: Daniel Jensen (Divulgação)

O cantor sertanejo João Gabriel lança nesta sexta-feira o novo trabalho da carreira. “João Gabriel no Morro” é um EP audiovisual com seis faixas inéditas. Gravado no Morro da Urca, um dos cartões postais do Rio de Janeiro, o projeto conta com as participações de Dilsinho e MC Maneirinho

Natural de Niterói, cidade do Rio de Janeiro localizada a 18 km da capital, João Gabriel começou a cantar profissionalmente aos 8 anos de idade. Aos 10, ele gravou um disco – o primeiro dos seis que lançou ao longo da carreira. 

O compacto é o primeiro trabalho do artista depois de firmar contrato com a Universal Music, gravadora na qual retorna após 24 anos. O show contou com a direção musical de Blener Maycom, responsável pelo hit “Jenifer”, de Gabriel Diniz.  

O Poltrona Vip conversou com João Gabriel às vésperas do lançamento do novo EP. Nessa entrevista, o promissor intérprete sertanejo fala sobre o “João Gabriel no Morro” e os processos criativos do trabalho e conta sobre a trajetória até chegar ao sucesso. 

Poltrona Vip: O seu novo trabalho “João Gabriel no Morro” foi gravado no Morro da Urca. Por que da escolha deste cenário? 

João Gabriel: Acho que o Morro da Urca que me escolheu (risos). Estávamos no processo de seleção de repertório em Goiânia e quando comentamos de fazer audiovisual, um dos nossos sócios disse ter um contato muito bacana no Morro da Urca. Na hora, eu fiquei extasiado com a hipótese porque é um dos pontos turísticos mais fotografados do mundo. Então, eu achava que fosse um sonho distante. Eu moro em Niterói (RJ) e minha casa fica de frente para o Morro da Urca. A gente conseguiu e foi um dia maravilhoso, a gravação ficou perfeita, com um astral magnífico. 

PVIP: O EP traz seis faixas escritas por compositores consagrados da música sertaneja. Como foi a seleção de repertório? 

JG: A escolha foi totalmente feita por mim, meus empresários e pelo Blener Maycom, diretor musical. O Blener foi uma figura fundamental para esse repertório, ele bateu o martelo com a gente em tudo. Do momento em que vive a música sertaneja, do que está tendo de novo, do movimento da bachata, do momento do funk e do pagode associados à música sertaneja. 

PVIP: “João Gabriel no Morro” traz as participações de Dilsinho e MC Maneirinho. Por que você escolheu eles como convidados? 

JG: São meus amigos pessoais. Nada mais verdadeiro do que uma parceria que já existe na vida. Dilsinho é um cara que eu sou amigo e acompanho o trabalho há mais de 8 anos. A gente sempre teve o mesmo objetivo e torcemos muito um pela carreira do outro. É a segunda música que eu gravo com ele, mas a primeira a gente guardou para lançar em um momento mais propício, é uma música muito romântica. Quando pintou a música “Pézin na Rua”, eu falei para o Blener que virava um pagodinho e ele falou que seria legal eu gravar com alguém do gênero. Alguém do pagode só poderia ser o meu irmão Dilsinho. Na hora que eu mandei a música para o Dilson, ele se amarrou e topou gravar. O Maneirinho mora em frente ao meu condomínio. A gente se encontra muito na praia, tomamos uma cerveja juntos e conversamos muito. Quando o Blener levantou a hipótese de a gente gravar um funk, na hora, eu tive o Maneirinho na cabeça. 

PVIP: Eles são representantes do funk e do pagode. Foi uma homenagem aos gêneros clássicos do seu estado? 

JG: Como eu sou do Rio de Janeiro, a gente achou tudo a ver gravar um projeto com funk e pagode, que são gêneros muito difundidos por aqui. Eles aconteceram no Rio de Janeiro no início de tudo e são mais consumidos pelo meu estado. Esse foi o pensamento em um primeiro momento. Eu tenho muitos amigos nos dois gêneros, então, foi só escolher os que eu tinha mais proximidade.

PVIP: O novo EP é o primeiro trabalho com a Universal Music, sua nova gravadora. Como surgiu a parceria?

JG: Na verdade, é o segundo. Eu gravei pela Universal Music aos 10 anos de idade. Uns dos primeiros contratados pela gravadora no Brasil fomos eu e Claudinha & Buchecha. Nós assinamos no mesmo dia. Agora, estou de volta para minha casa, onde iniciei todo o meu trabalho. A Universal é muito forte, tem um peso muito relevante nas mídias digitais, que é o que pensamos para esse projeto. 

PVIP: Você é natural de Niterói, no Rio de Janeiro, e começou sua carreira há muitos anos, em uma época em que o sertanejo ainda tinha pouca abertura no estado. Como foi esse início? Sentiu alguma dificuldade para encontrar espaço?

JG: Com certeza. Aos 10 anos, eu gravei meu primeiro disco, já no sertanejo. Continuei fazendo shows por aqui, mas pouquíssimos. Com 18 anos, fui morar no México e cantava na noite por lá. Voltei com a ideia de fazer faculdade. Nessa época, eu sentia necessidade de ganhar meu próprio dinheiro. Foi quando eu criei a primeira noite sertaneja do estado em um local de hospedaria de cavalos. Sempre muito persistente, eu passava a madrugada toda convidando as pessoas no Orkut. Em um mês e meio, a gente já colocava mais de mil pessoas nesse lugar. Os donos de barzinhos e até de casas de shows maiores começaram a frequentar para saber quem estava fazendo aquele movimento todo em uma quarta-feira. Foi quando começaram a pintar os convites. A primeira noite sertaneja da cidade do Rio fui eu que fiz. As primeiras da Zona Sul também. Aí a gente foi desbravando todo o estado. Mas, no início, era muito complicado até em questões de repertório. Era muito limitado, não chegava muito do novo aqui. Mas eu sempre acreditei muito nesse movimento, até mesmo pelo Rio de Janeiro ser um estado que tem muitas faculdades com muitos universitários que vêm de outros estados. Não tinha uma noite sertaneja para essas pessoas curtirem. Na época, também demos sorte de ter uma novela da Globo que tocava muito sertanejo e fomentou meu repertório. Então, foi uma combinação de fatores que fizeram o sertanejo chegar ao Rio de Janeiro e a gente começar a ter um pouco mais de facilidade. 

PVIP: Você é um artista que acompanhou muitas eras da música sertaneja. Hoje, como você definiria o estilo de música que o público sertanejo quer ouvir?

JG: Ele busca a mensagem que as músicas falam, seja ela de amor, de felicidade, do momento de extravasar, do momento da balada. Acho que o público busca diversão na música sertaneja. O gênero teve essa modernização, parou de falar um pouco de coisas do campo. E hoje, não por eu ser sertanejo, mas é o maior ritmo do Brasil, por englobar tantos estilos dentro do gênero. 

PVIP: Com o EP lançado, o que seus fãs podem esperar daqui pra frente?  

JG: Agora, é divulgar demais esse trabalho e desbravar outros estados que eu não visitei ainda. Já temos datas marcadas para Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Pernambuco. Já tem muitos estados querendo por esse trabalho diferenciado, que está atingindo o país por completo. Vamos divulgar bastante para chegar ao máximo de cidades e municípios do Brasil.

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