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Crítica de Filmes

“JJ+E”: novo romance sueco da Netflix é um chute na trave | Crítica

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Calma! Embora “JJ+E” tenha entrado para a lista de filmes que seriam ótimos se não falhassem miseravelmente no seu desfecho, não quer dizer que seja de todo ruim, pelo contrário, existem alguns elogios para ele. O longa, do diretor Alexis Almstorm, estreou recentemente e mesmo com alguns deslizes aborda com bastante cuidado temas sensíveis e merece ser assistido.

O roteiro assinado por Dunja Vujovic, baseado no romance de 1993, “Vinterviken”, de Mats Wahl, acompanha a história de amor de John-John (Mustapha Aarab) e Elisabeth (Elsa Ohrn), dois jovens separados por diversas barreiras, entre elas a econômica. Eles são apresentados um ao outro quando num acidente JJ consegue salvar a irmã de Elisabeth de um afogamento. A relação entre os dois se torna mais profunda quando descobrem que estão na mesma turma de teatro da faculdade e precisam trabalhar juntos. Daí em diante, para manter a relação o casal precisará lidar com diversos desafios provenientes de suas diferenças.

Digamos que a premissa em questão não seja bem uma novidade entre as tramas juvenis. Quantos filmes você já assistiu ou, no mínimo, ouviu falar, onde a garota rica se apaixona pelo rapaz pobre? Provavelmente diversos. Mas existem alguns detalhes que diferenciam o drama sueco dos demais: antes de tudo, “JJ+E” detém um enredo realista e comovente, na maior parte do tempo. É contado pelo ponto de vista de JJ, um jovem que vive na periferia de Estocolmo e possui aspirações comuns assim como qualquer garoto da sua idade, mas que por conta de suas condições e de onde vive muitas vezes se vê pressionado a cometer erros que jamais planejou. Trata-se de uma autêntica narrativa sobre o desejo e também a impossibilidade de guardar um direito que é de todos, a dignidade. A obra analisa situações que são consideradas usuais e corriqueiras no cotidiano de muitos, como crescer ao lado de amigos, ficar com a garota que gosta ou estudar, mas que na verdade podem ser uma realidade muito distante de inúmeros jovens por causa do preconceito e da injustiça social.

A evolução da história é ágil e progressiva, mas não tem pressa. Por mais que exista uma densa carga emocional, ela mantém a sutileza, talvez porque ainda se trate de um filme juvenil, portanto, há um equilíbrio. O peso desse drama na verdade é controlado durante certo tempo até que seja o momento correto de despeja-lo sobre o público. Com a ajuda dos atores isso acontece de forma ainda melhor, o casal protagonista consegue externalizar a essência do filme. Vale a pena ressaltar também a trilha sonora como um dos destaques, junto com a ambientação ela cria uma atmosfera moderna e reforça o espírito da juventude. Entre as variadas canções está o recente single “Eld & Lgor” do artista pop sueco Victor Leksell. Há momentos que o longa remete a outros trabalhos semelhantes, em alguns aspectos, como a série inglesa “Skins” (2007) e a norueguesa “Skam” (2015), isso por conta do tom intimista ao qual é explorada a rotina dos adolescentes europeus, enfatizando a subjetividade com que eles lidam com o constrangimento e as dificuldades do dia a dia.

Mas como nada é perfeito, o filme apresenta algumas inconsistências na narrativa que são difíceis de deixar passar, como por exemplo, quando um dos personagens faz determinadas descobertas, o esperado é que haja uma mudança de postura, mas isso não acontece, pelo contrário, não é demonstrado sequer um processo de superação que permita que o espectador ao menos tente entender e aceitar suas decisões. Isso ressalta algo mais fantasioso, fora da realidade e oposto ao que a trama se propõe. E, por fim, a resolução do terceiro ato. Sem muitos detalhes, a sequência final consegue desequilibrar toda a estrutura sólida que vinha sendo construída desde o início. O que dá para imaginar é que a decisão dos roteiristas sobre tais conflitos seria para agradar os fãs adolescentes que amam finais felizes para os casaizinhos, mas o que se garante é que se o filme se mantivesse pragmático até o fim haveria, no mínimo, um final um pouco diferente.

“JJ+E” apesar de possuir determinados equívocos, principalmente na sua conclusão, não deixa de ser interessante. A obra explora bons temas e ainda é capaz de entreter, emocionar e gerar reflexões.

Assista o trailer:

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