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“Midsommar – O Mal Não Espera a Noite” transita entre o bem e o mal de maneira sutil e bizarra | Crítica

Ari Aster é sem dúvidas um dos diretores mais comentados do cinema desde o lançamento de “Hereditário”, em 2018. A produção entregou um longa diferente dos demais e um terror mais psicológico, que agradou dezenas de fãs do gênero. Aster retorna nesta quinta, 19 de setembro, com “Midsommar – O Mal Não Espera a Noite”, que é tão bem feito quanto o primeiro.

Dani (Florence Pugh) e Christian (Jack Reynor) formam um jovem casal americano com um relacionamento prestes a desmoronar. Mas depois que uma tragédia familiar os mantém juntos, Dani, que está de luto, convida-se para se juntar a Christian e seus amigos em uma viagem para um festival de verão único em uma remota vila sueca. O que começa como férias despreocupadas de verão em uma terra de luz eterna toma um rumo sinistro quando os moradores do vilarejo convidam o grupo a participar de festividades que tornam o paraíso pastoral cada vez mais preocupante e visceralmente perturbador. Da mente visionária de Ari Aster surge um conto de fadas cinematográfico encharcado de pavor onde um mundo de escuridão se desdobra em plena luz do dia.

O filme tem uma história tão repleta de detalhes quanto “Hereditário”, com muitos segredos, acontecimentos macabros e até mesmo a figura feminina fazendo a história acontecer. Isso porque, de todos os personagens, Dani é a que mais se destaca. Não só por ser uma ótima atriz, mas por carregar grande parte da história e possuir uma carga dramática muito intensa.

“Midsommar” conversa muito com “Hereditário” no quesito terror psicológico, acontecimentos bizarros e momentos fortes. Ambos os filmes trazem uma pegada mais sensorial, ou seja, o susto não está de fato no acontecimento, mas no que o filme é capaz de te fazer sentir com ele. E tudo colabora para que isso se intensifique. O jeito que é filmado, trilha sonora, os detalhes. O filme é impecável nesse sentido.

O filme traz outra característica de Aster de explorar outros pontos em relação ao “mal” e que são diferentes de outras produções do gênero. Neste filme, não possuímos, por exemplo, um vilão. Muito pelo contrário. Os personagens da comunidade são todos muito gentis e educados. O cineasta trabalha o lado psicológico de Dani, que vive o luto e está inserida num ambiente em que os valores são totalmente diferentes aos que estava acostumada. Inclusive, até valores que ela não possuía.

No decorrer do filme, Dani vai ganhando mais visibilidade e força conforme ela vai se entregando aos costumes e regras do lugar. O elenco, até os que dão vida aos personagens menores, são outro destaque e representam muito bem essa visão de “mal” de Aster, que sempre inova ao transitar entre o bizarro e acontecimentos cotidianos, além de ter muita criatividade para criar todo um universo.

“Midsommar – O Mal Não Espera a Noite” é um filme bom para quem já curte as produções de Aster, mas ainda assim possui um roteiro muito arrastado e que passa a impressão de ter se perdido um pouco. Um dos pontos mais fracos de todo o filme é a conclusão, pois talvez não agrade ao público tanto quanto deveria. Porém, não deixa de ser um bom e produzido filme para todos aqueles que assistiram “Hereditário” e curtem os filmes do gênero.

Assista o trailer:

Elenco: Florence Pugh, Jack Reynor, Vilhelm Blomgren, William Jackson Harper, Will Poulter, Ellora Torchia, Archie Madekwe, Henrik Norlén, Gunnel Fred, Isabelle Grill, Dag Andersson, Björn Andrésen, Anders Back, Anders Beckman, Mats Blomgren, Klaudia Csányi, Tomas Engström, Dóra Ferenczi, Austin R. Grant, Anna Åström

Escrita por Otavio Pinheiro

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