A cantora e compositora Gabriella Lima lança nesta quinta-feira, 4, seu segundo álbum de estúdio, “Sabor Solaire”. O trabalho mergulha nas sensações de pertencimento e deslocamento vividas por quem transita entre dois mundos. Nascida no Brasil e radicada na França há dez anos, Gabriella transforma essa vivência em um disco que transita entre o calor da música brasileira e o refinamento da chanson française, unindo os dois universos com naturalidade.
Se em “Bálsamo” (2021) as canções funcionavam como cura para feridas abertas por rupturas amorosas e mudanças de vida, “Sabor Solaire” surge como celebração de um recomeço leve, consciente e luminoso. Com nove faixas e uma bonus track, o álbum traduz em melodia a nova fase da artista: mais madura, apaixonada e segura do próprio caminho. “Eu me encontrei, sei quem eu sou, quero colocar isso para fora”, afirma.
Gravado após uma temporada criativa nas Ilhas Maldivas, onde trabalhou como cantora em um hotel, o disco traz parcerias com artistas como Vanille, em “Se Me Chamar Eu Vou” (versão bilíngue de “Suivre Le Soleil”), Léo Middea, em “Saveur Solaire”, e Jules Jaconelli, na melancólica “Mistério”. A diversidade de estilos vai do samba ao afoxé, do pop ao rap, com influências de Caetano Veloso, Jorge Ben Jor e Mayra Andrade – esta última, referência fundamental para sua carreira bilíngue.
Em “Metamorfose”, sua faixa preferida, Gabriella explora uma sonoridade urbana e autoral que mescla soul, trap e percussão brasileira. Já em “Mon Inconnu”, ela se volta ao passado ao compor em francês uma delicada carta ao pai, ausente desde sua infância. “A palavra na nossa língua tem mais peso. Acho que não me julgo tanto cantando em francês”, diz sobre o processo emocional de escrever em outro idioma.
Em um mercado musical dominado por fórmulas, Gabriella Lima se destaca ao apostar em um som autoral e bilíngue que cruza fronteiras com sensibilidade e coragem artística. Uma verdadeira “chanson brasileira”, que ilumina os caminhos de quem, como ela, vive entre cá e lá.