A música country perdeu nesta terça-feira (25) uma de suas maiores estrelas. Dolly Parton morreu em Nashville, no Tennessee, aos 80 anos, fechando uma carreira de quase sete décadas que marcou gerações de artistas dentro e fora do country. A família não contou a causa da morte, só disse que ela "morreu em paz" na cidade que virou sinônimo da sua história na música.
A notícia foi confirmada pelo sobrinho de Dolly, Brian Seaver, em vídeo publicado nas redes sociais da cantora. "Meu nome é Brian Seaver, filho de Cassie Parton, e estou aqui hoje representando as famílias Parton e Owens para anunciar o falecimento da minha tia, Dolly Rebecca Parton Dean", disse ele, que revelou que estava ali cumprindo um pedido antigo da tia.
Brian Seaver cuidava da segurança dela havia mais de 20 anos, função que antes era do pai dele, Larry. Emocionado, Seaver falou sobre a mistura de sentimentos de encarar o anúncio mais difícil da sua função.
"É uma honra; uma honra que se mistura a um orgulho imenso e a uma profunda tristeza. Mas a tristeza fica conosco, não com Dolly. Dolly viveu na luz e está nos braços de Jesus, certamente recebida por Carl, por seus pais e por inúmeras outras pessoas que a acompanharam e ansiavam por encontrá-la no céu", completou.
Dolly Rebecca Parton nasceu em 19 de janeiro de 1946, em Pittman Center, no Tennessee, sendo a quarta de 12 irmãos numa família bem pobre das montanhas Great Smoky. Começou a cantar ainda pequena, subiu no palco do lendário Grand Ole Opry aos 13 anos e, em 1964, foi pra Nashville tentar a vida como compositora, aposta que, décadas depois, a transformou na artista com mais discos vendidos por uma mulher na história do country, com mais de 160 milhões de álbuns pelo mundo.
A saúde dela já vinha preocupando havia meses. No fim de 2025, precisou cancelar uma temporada de seis shows marcada pra o Caesars Palace, em Las Vegas, alegando que precisava passar por alguns procedimentos médicos.
Em agosto, cancelou também uma aparição no Dollywood, o parque temático que ela mesma criou no Tennessee, por motivos de saúde. Poucos dias antes de morrer, em entrevista à revista People, Dolly disse que estava enfrentando problemas de saúde, mas que ainda tinha planos e projetos pela frente. Viúva desde março de 2025, quando perdeu o marido Carl Thomas Dean depois de quase 60 anos de casamento, a cantora não teve filhos.
No currículo musical, Dolly deixa marcas que a colocam entre as maiores compositoras da história: escreveu cerca de 3 mil canções na vida, das quais gravou pouco mais de 400, entre elas "Jolene" e "9 to 5", essa última, tema de abertura do filme homônimo de 1980, que também a lançou como atriz ao lado de Jane Fonda e Lily Tomlin. Foi ela também quem escreveu "I Will Always Love You", que Whitney Houston depois regravou e transformou num dos maiores hinos pop de todos os tempos.
A carreira rendeu 11 prêmios Grammy, três Emmys, seis Globos de Ouro, um Tony Award e duas indicações ao Oscar, incluindo uma estatueta honorária humanitária recebida em 2025. Fora dos palcos, ficou conhecida pelo trabalho filantrópico à frente da Imagination Library, projeto que distribui livros de graça pra crianças em idade pré-escolar e virou uma das iniciativas de incentivo à leitura infantil mais conhecidas dos Estados Unidos.