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“Era Uma Vez Deadpool”, mais familiar, igualmente engraçado | Crítica

O anúncio de “Era Uma Vez Deadpool“, uma versão sem palavrões e menos violenta de “Deadpool 2“, não deixou de ser surpreendente. Afinal, antes do lançamento do primeiro filme, que chegou aos cinemas em fevereiro de 2016, o que os fãs mais temiam era uma versão com a classificação PG-13 (aqui no Brasil, filmes dessa faixa-etária costumam ter classificação 12 anos), o que impediria a presença de sangue, palavrões, nudez e algumas piadas mais pesadas. Felizmente a Fox liberou tudo e o personagem chegou às telonas do mesmo jeito que foi idealizado pelo autor Rob Liefeld nos quadrinhos da Marvel durante os anos 90. 

A classificação etária foi, no fim das contas, um dos fatores mais decisivos no sucesso do longa (e da sequência), até pelo fato de, até então o público não ter visto uma franquia tão mainstream que não fosse “entretenimento para toda a família”. Apesar do sucesso mundial (os dois filmes geraram cerca de US$ 1,520 bilhão nas bilheterias), as cenas mais adultas impediam que o filme entrasse no circuito do segundo mair mercado do cinema global, a China, que baniu o mercenário tagarela por não conseguir cortar as cenas impróprias sem interferir na história. Com a sequência a tentativa foi melhor sucedida.

A história permanece exatamente a mesma que a do filme lançado em maio desse ano, os cortes feitos foram cirúrgicos e não prejudicaram em nada o entendimento da trama. As novas cenas são, em sua maioria com Wade Wilson contando o longa para o ator Fred Savage, famoso pelas participações nos clássicos “Anos Incríveis” e “A Princesa Prometida“, as cenas são hilárias e são marcadas pelo humor rápido de Ryan Reynolds. Além disso cenas excluídas foram incorporadas na nova versão, algumas já vistas na versão alternativa lançada em Blu-Ray e intitulada de “Super Duper Cut“. 

É preciso reconhecer também o esmero nos detalhes mais impróprios reaparecendo em versões mais familiares, mas frequentemente igualmente engraçados. Algumas sequências exigiram cortes mais pesados,
por exemplo, a sequência inicial do original, passada na Ásia é inteiramente sacrificada, junto com a os créditos iniciais ao som de Celine Dion e com algumas das piadas mais batidas do longa. Apesar disso não perde nem um pouco da comédia, e até ganha novas, e maravilhosas, gags

Mas nem tudo é elogio, o sentimento, apesar de qualidade,  é que o novo corte levou embora parte da personalidade da franquia. Em alguns trechos da história, a trama era interrompida pela conversa de DP e Fred, o que atrapalha a fluidez do longa.

Já os roteiristas que, em toda a série, usaram piadas do mascarado para encobrir defeitos e os clichês da fórmula dos filmes modernos, aqui mudam de estratégia, usam Savage para fazer as famosas piadas autorreferenciais.

No fim foram adicionadas duas cenas pós-créditos ao já extenso catálogo  anterior. A produção também encontrou espaço para duas lindas homenagens a Stan Lee, a segunda em especial, muito emocionante. É a primeira vez que um filme baseado em personagens da Marvel chega aos cinemas desde a morte do autor, em novembro.

Com erros e acertos a franquia chega ao terceiro lançamento nos cinemas sem saber muito bem para onde ir daqui pra frente, apesar de aparição no, até agora, misterioso filme da “X-Force“, não existem planos de expandir a franquia depois disso. Se não pelo ineditismo da história, talvez o ingresso valha a pena pela possibilidade desse ser o último lançamento solo do personagem nos cinemas.

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