Quem foi ao Doce Maravilha no último sábado e domingo, provavelmente viveu uma das melhores misturas de gêneros musicais brasileiros em um festival. Com um line-up recheado de artistas mega consagrados, a “Festa da Música Brasileira” fez com que todos que estavam presentes, vivessem várias emoções com cada acorde tocado, desde nostalgia, passando pela emoção e vibrando de amor.
Nomes como Maria Bethânia, Jorge Ben Jor, Criolo, Rael, Mano Brown, Jorge Aragão, Capital Inicial, Os Paralamas do Sucesso, Letrux, Nação Zumbi e diversos outros, agitaram os dois palcos montados no Jockey Club Brasileiro, no Rio de Janeiro. O Poltrona VIP esteve presente no festival e vai te contar tudo sobre os melhores momentos do Doce Maravilha.
Primeiro dia (25/05)
Chegamos no primeiro dia do festival no final da tarde de sábado, e Jorge Aragão já estava subindo ao palco para fazer um grande show de samba e… rap. Isso mesmo que você leu, a apresentação do sambista contou com a participação dos rappers Djonga, BK e Xamã, que cantaram músicas com Aragão e também trouxeram uma faixa do seu repertório. A cantora Negra Li também subiu ao palco e trouxe uma pitada de R&B para o show, cantando o clássico “Você Vai Estar na Minha”. Outra convidada foi Ana Carolina, que manteve o clima de samba e pagode, cantando “Cabide”, e logo depois, dividiu os vocais com Jorge em “Eu e Você Sempre”, fazendo o público sambar e cantar com todo fôlego o refrão “Aí foi que o barraco desabou, nessa que meu barco se perdeu, nele tá gravado só você e eu”.
Após um intervalo de aproximadamente 30 minutos, o show de Jorge Ben Jor se iniciou. O cantor, que está na ativa há mais de 60 anos e é considerado uma lenda da música, entregou uma apresentação repleta de hits e com muita, muita energia. Foi impressionante ver como as pessoas estavam entusiasmadas e fazendo um grande coro, enquanto Jorge Ben cantava seus maiores hits, dentre eles “W/Brasil (Chama o Síndico)”, “País Tropical” e “Que Maravilha”. É importante lembrar que em 2024, o disco “A Tábua de Esmeralda”, lançado em 1974, completa 50 anos e o público esperava um show com o repertório desse álbum, mas não foi o que aconteceu. Mesmo não trazendo um show temático, ele não esqueceu do disco e cantou "Zumbi" e "Magnólia".
Fechando a noite com chave de ouro, o Doce Maravilha trouxe o hip-hop paulista para agitar os cariocas presentes (e os não cariocas também). O encontro final do dia foi entre Criolo, Rael e Mano Brown, que trouxeram o melhor do hip-hop brasileiro. A junção rendeu momentos eletrizantes para apresentação, com muitos clássicos dos três sendo cantando em peso pelo público, entre eles “Não Existe Amor em SP”, “Jesus Chorou”, “O Hip Hop É Foda”, “Envolvidão”, “Subirusdoistiozin” e finalizando com a incrível “Vida Loka, Pt. 2”. Assistir a esse espetáculo sonoro, com certeza, foi uma experiência inesquecível. As mensagens políticas, a realidade das periferias de forma nua e crua, e tudo isso em forma de arte. Definitivamente, o destaque da noite.
Segundo dia (26/05)
O segundo e último dia do Doce Maravilha começou com incertezas. A grande dúvida de todos era se a chuva - que no dia anterior não foi um problema, mas se mostrava um potencial no dia seguinte - poderia causar algum cancelamento. Felizmente isso não aconteceu e o público apareceu em peso para prestigiar os artistas que fecharam a edição de 2024 do festival.
Chegamos na hora que Os Paralamas do Sucesso estavam subindo ao palco para fazerem o seu show especial. Isso mesmo, especial. A apresentação foi uma celebração de 40 anos de lançamento do álbum “O Passo de Luí”, que traz grandes hits como “Óculos”, “Me Liga” e o megahit “Meu Erro”. Inclusive, a plateia pulou e cantou muito ao som dessas e das outras canções do álbum. Saciando o desejo dos fãs por outros sucessos, a banda também trouxe “Lanterna dos Afogados”, “Uma Brasileira”, “Cuide Bem do Seu Amor”, entre outros. O saldo final da apresentação foi extremamente positivo, deixando uma sensação de ter assistido um mega show dos anos 80 e 90.
Logo em seguida, foi a vez da majestade da música popular brasileira entrar e alimentar seus súditos com seu talento e voz incomparável. É claro que estou falando de Maria Bethânia. A abelha rainha da MPB trouxe todos que estavam no Jockey Club para frente do palco, e assim cantou e encantou com seus grandes clássicos, como “Fera Ferida”, “As Canções Que Você Fez Pra Mim”, “Gema”, “Reconvexo”, além de cantar sucessos de outros artistas também, como “Gita” de Raul Seixas e “Baila Comigo”, em uma linda homenagem para Rita Lee. O show ainda contou com a participação de Xande de Pilares, que sozinho cantou “Deixa Acontecer” e “Do Jeito Que a Vida Quer”, e juntos cantaram “Sonho Meu” e “Tá Escrito”.
Para encerrar a noite e esta edição do festival, Capital Inicial subiu ao palco para cantar as canções do seu álbum acústico, lançado em 1999 e que completa 25 anos em 2024. A banda brasiliense encontrou uma plateia sem muitas pessoas, que se dispersaram após a apresentação de Bethânia, mas na terceira música apresentada, boa parte do público já havia voltado para prestigiá-los. Os convidados do show foram os mesmos presentes no disco: Zélia Duncan e Kiko Zambianchi. Zélia e Dinho cantaram “Eu Vou Estar” e tiveram uma interação no palco muito gostosa de assistir. Já Kiko acompanhou a banda do início até o final do concerto, tocando seu violão. Acredito que a única infelicidade desse show foi não ter caído um pingo de chuva durante “Primeiros Erros (Chove)”, o que com certeza teria dado ainda mais emoção à canção. Acho que São Pedro gastou toda a água disponível nos shows anteriores.
No geral, a experiência do Doce Maravilha foi extremamente positiva, os artistas mandaram muito bem e mostraram o quanto estavam felizes de estarem fazendo aquele show. Definitivamente foi uma grande celebração da música brasileira.
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