Quinto álbum de estúdio da artista articula referências da bossa nova, do funk e do pop para narrar um percurso que vai da desilusão à autoaceitação.
Nesta terça-feira (7), a cantora Luísa Sonza apresenta ao público seu mais novo projeto fonográfico, intitulado “Brutal Paraíso”. O trabalho marca uma ruptura estética e temática com seu antecessor, mergulhando em uma sonoridade que fricciona o solar e o urbano, o idílico e o cru.
O disco abre com a vinheta "Distrópico", onde o som do mar é interrompido por ruídos de rádio e batidas secas. Segundo Leonardo Lichote, que assina a análise do lançamento, o álbum nasce do contraste entre a promessa de felicidade histórica da canção brasileira e a experiência concreta de uma jovem artista no Brasil atual.
Diferente de "Bossa Sempre Nova", onde a artista revisitava clássicos ao lado de nomes como Roberto Menescal, o novo álbum foca no presente. Luísa Sonza descreve o projeto anterior como um "espelho retrovisor", enquanto o atual reflete sua visão de mundo como jovem brasileira, de maneira direta e sem filtros utópicos.
A bossa nova continua presente, mas deslocada de seu lugar de conforto. Na faixa "Fruto do Tempo", a bateria remete ao gênero clássico, mas a letra entrega uma desilusão completa. O álbum propõe que, embora o amor idealizado possa morrer, a sobrevivência e a existência individual devem prevalecer, como sugere o verso de "Que o Amor Morra".
Para materializar essa sonoridade híbrida, a gaúcha reuniu um time de peso. Entre os colaboradores estão Mikey Hermosa, Tommy Brown e Yoni. O repertório, que transita entre português, inglês e espanhol, conta com participações de Xamã em "E Agora?" e da porto-riquenha Young Miko na explosiva "Safada".
O funk aparece como elemento de catarse e força gravitacional em diversas faixas. Em músicas como "French Kiss", com MC Paiva ZS, e "Telefone", o ritmo dita a intensidade da narrativa. Luísa Sonza afirma que o gênero é a tradução musical de sua própria sensualidade e movimento.
O título do álbum surgiu da percepção de produtores estrangeiros sobre a estética urbana de São Paulo. Ao questionarem sobre o "paraíso" natural esperado do Brasil, a resposta materializou-se no conceito de um paraíso que não deixa de existir, mas que se revela brutal e concreto sob o cimento da metrópole.
O fechamento do disco traz uma carga emocional profunda com a faixa-título "Brutal Paraíso". Escrita originalmente como uma carta para sua sobrinha, a canção resume a trajetória de amadurecimento da obra. O percurso termina com o verso "Hoje é por mim que eu canto", selando a transição da desilusão para o acolhimento próprio.
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