Nesta segunda-feira (7), feriado da Independência do Brasil, a Cidade do Rock ganhou um dos momentos mais simbólicos do Rock in Rio 2026. Aos 84 anos, Gilberto Gil subiu ao Palco Mundo com seu violão, sua voz e um repertório que atravessa gerações, transformando a grandiosidade do espaço em proximidade com o público.
O repertório escolhido para o festival percorreu diferentes momentos da carreira de Gilberto Gil e fez a Cidade do Rock cantar em uníssono por todo show. A apresentação começou com "Cérebro Eletrônico" e "Pela Internet", estabelecendo desde cedo uma conexão entre a obra do cantor, a tecnologia e as transformações da sociedade.
Na sequência, vieram clássicos como "Andar com Fé" e "Toda Menina Baiana", que colocaram a identidade baiana e a força popular da obra de Gil no centro do espetáculo. O cantor também prestou uma homenagem a Bob Marley com "Rebel Music (3 O'Clock Roadblock)". A participação especial do guitarrista Liminha acrescentou ainda mais peso à apresentação.
O setlist passou ainda por "Palco", "Realce" e "Superhomem – A Canção", antes de abrir espaço para homenagens a nomes importantes da música brasileira. "Ovelha Negra" e "Pro Dia Nascer Feliz" apareceram como reverências a Rita Lee e ao Barão Vermelho. Já "Esperando na Janela", "Divino Maravilhoso" e "Aquele Abraço" conduziram a apresentação para um encerramento marcado pela celebração.
No telão, imagens e registros relacionados à carreira do artista ajudaram a construir a atmosfera do show. A cenografia acompanhou a apresentação sem tentar roubar o protagonismo da música. E talvez essa tenha sido justamente a escolha mais acertada. No palco principal do Rock in Rio, a grande atração foi o próprio Gil.
Nas redes sociais, o show de Gil também viralizou pelo cuidado em aproveitar cada parte do novo Palco Mundo, que agora conta com mais de 2000m² de LED. O cantor foi considerado um dos artistas que melhor utilizou o espaço, senão o melhor.
Enquanto cantava, o Palco Mundo ganhava projeções pré-gravadas de Gil que interagiam com o show. Todo o conteúdo visual do show foi assinado pelo Estúdio Radiográfico, fundado por Pedro Garavaglia e Olívia Ferreira, com direção artística de Rafael Dragaud.
Gil foi gravado em estúdio com a tecnologia chroma key para gerar poses e cenas exclusivas e a proposta evitou imagens de arquivo de sua trajetória para focar em um visual contemporâneo, dinâmico e focado no presente. De fato, um show.
Gilberto Gil é grandioso e realizou um show à altura. Não à altura do próprio Palco Mundo ou do tamanho do Rock in Rio 2026, mas à altura de si mesmo. O espetáculo foi familiar, afetuoso e capaz de atravessar gerações. No palco, estavam Gil, sua banda e uma grande coleção de canções que fazem parte da memória afetiva do Brasil. E foi justamente essa simplicidade que tornou tudo tão grandioso.
Em um festival conhecido por suas megaproduções, Gilberto Gil mostrou que um palco gigantesco também pode ser ocupado pela delicadeza. O violão, a voz, os clássicos e a relação construída com o público foram suficientes para transformar o Palco Mundo em um dos momentos mais especiais do Rock in Rio 2026.
Gil não precisou competir com o tamanho do festival. Bastou ser Gilberto Gil e deixar que mais de seis décadas de música brasileira falassem por ele.
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