O Rock in Rio 2026 entrou para a história na sexta-feira (11) ao abrir oficialmente espaço para o K-pop em sua programação. Pela primeira vez em 41 anos de festival, o gênero ocupou o Palco Mundo com uma sequência formada por NEXZ, Hwasa e Stray Kids, além da apresentação de Alok entre os artistas asiáticos. Mais do que uma novidade na escalação, a noite mostrou a força de uma comunidade de fãs que chegou cedo, tomou conta da Cidade do Rock e transformou o festival em uma grande celebração da cultura sul-coreana.
A estreia começou com o NEXZ, responsável por abrir o Palco Mundo. Mesmo sendo um dos nomes mais novos da programação, o grupo encontrou uma plateia numerosa desde os primeiros minutos, com fãs que chegaram cedo para garantir espaço próximo ao palco.
O septeto apostou em coreografias sincronizadas e em um repertório que passou por “Beat-Boxer”, “O-RLY?”, “Keep on Moving”, “LOCO” e “SAUCIN’”. A apresentação também teve um cuidado especial com o público brasileiro: os integrantes prepararam falas em português e interagiram diversas vezes com os fãs, encerrando o show próximos à plateia.
Na sequência, Hwasa mostrou por que se tornou um dos nomes mais singulares do K-pop. Em sua primeira apresentação solo no Brasil, a cantora combinou vocais, banda ao vivo, coreografias e uma forte presença de palco, transitando por músicas de sua carreira individual e referências ao MAMAMOO.
A artista, que já havia declarado seu carinho pelo país antes do festival, conversou bastante com o público e chegou a usar frases em português durante o espetáculo. O impacto da apresentação também ficou evidente antes mesmo de seu início: a concentração de fãs diante do Palco Mundo foi tão grande que a organização precisou pedir que parte do público recuasse para melhorar as condições de segurança.
Mas foi com Stray Kids que a dimensão da estreia atingiu seu ponto máximo. Headliner da noite e primeira atração de K-pop a encerrar o Palco Mundo, o grupo subiu ao palco já diante de uma multidão que aguardava o show desde o início do dia.
O repertório reuniu sucessos como “S-Class”, “MANIAC”, “Thunderous” e “God’s Menu”, em uma apresentação que também incorporou elementos da cultura coreana e momentos de interação direta com os fãs. Entre as surpresas, Bang Chan cantou um trecho de “Ai Se Eu Te Pego”, de Michel Teló, provocando uma resposta imediata da plateia brasileira.
A resposta do público foi um dos maiores símbolos da noite. O Dia de Kpop reuniu mais de 100 mil pessoas, consolidando a apresentação como uma das maiores concentrações desta edição do Rock in Rio.
A paisagem da Cidade do Rock também ganhou uma característica inédita: milhares de lightsticks, acessórios luminosos tradicionais dos fandoms, iluminaram o espaço e formaram o que a organização classificou como o maior “lightstick ocean” da América Latina. A liberação desses objetos no festival, anunciada antes do evento, simbolizou a adaptação do Rock in Rio à cultura própria dos grandes shows de K-pop.
A dimensão da estreia também esteve no comportamento do público. Muitos fãs chegaram horas antes dos shows, em especial os admiradores do Stray Kids, e uma parcela significativa era formada por crianças, adolescentes e famílias. O dia criou uma atmosfera diferente daquela observada nos primeiros dias do festival, com uma geração mais jovem ocupando a Cidade do Rock e reproduzindo elementos visuais e comportamentais característicos dos fandoms de K-pop.
No fim, a estreia do K-pop no Rock in Rio foi mais do que uma experiência pontual: funcionou como um teste para o futuro dos grandes festivais brasileiros. NEXZ abriu caminho, Hwasa reforçou a diversidade de formatos do gênero e Stray Kids confirmou, diante de uma multidão, que o K-pop já possui força suficiente para ocupar o centro de eventos dessa dimensão. O primeiro “dia do K-pop” da história do Rock in Rio deixou claro que o público está preparado para ver muito mais artistas asiáticos nos grandes palcos do país.