Uma das artistas mais queridas da geração e que reúne uma fã base fiel no Brasil, a Lorde, levou ao Lollapalooza Brasil 2026 um show memorável no domingo (22). O espetáculo da The Ultrasound World Tour foi mais do que uma apresentação musical, foi um encontro emocional entre artista e público, construído a partir de vulnerabilidade, intensidade e uma sensação clara de amadurecimento.
Lorde não é uma artista comum e o show também não seria. Com uma performance visceral e talvez uma das mais autênticas da edição a artista neozelandesa dominou o palco com uma entrega física e emocional que se refletia diretamente na plateia. O público, completamente envolvido, cantava em coro e reagia a cada gesto, criando um ambiente de catarse coletiva. O convite era para que se libertasse, cantasse e dançasse como se não houvesse o amanhã e o público atendeu.
O repertório funcionou como uma linha do tempo afetiva. Hits como “Royals”, "Green Light", “Supercut” e “Perfect Places” surgiram como pontos de conexão imediata, enquanto momentos mais íntimos, como “Liability”, emocionou a plateia, que ficou iluminada por luzes de celulares e vozes que ecoavam em uníssono.
Visualmente, o espetáculo também reforçou essa proposta crua e honesta. Em uma performance que flertava com o improviso e a liberdade corporal, a artista rasgou roupas e explorou o palco de forma quase instintiva, criando uma estética que parecia menos ensaiada e mais sentida. Era como assistir a um desabafo em forma de show.
Mas foi nos discursos que o espetáculo ganhou ainda mais profundidade. Em um momento marcante, Lorde falou sobre sua evolução desde a última vez no festival: “Ainda me lembro da ultima vez que vim aqui. Tinha lançado ‘Melodrama’ e me sentia perdida. Era um bebê… e agora tenho 29 anos. Crescemos juntos, passamos por fases iguais, vivemos no mesmo mundo. Às vezes fico assustada e não sei o que é real, mas quando vejo um grupo de pessoas assim, com tantas possibilidades, beleza e curiosidade, eu renovo a fé”
Mais do que um show, Lorde entregou um retrato de quem ela é hoje: uma artista mais livre, mais vulnerável e profundamente conectada com sua audiência. Em um festival marcado por grandes produções, sua apresentação se destacou e encantou a plateia justamente por humana, atêntica e real possível.
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