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“Quebra de Juramento”: Globoplay investiga escândalo médico em nova série documental

Otavio Pinheiro
por Otavio Pinheiroatualizado
“Quebra de Juramento”: Globoplay investiga escândalo médico em nova série documental
Fotos de Waldomiro dos Santos Oliveira, paciente de João Couto Neto morto em 2010; cirurgião responde por homicídio doloso no caso. | Créditos: Globo/ Divulgação

O Globoplay lançou nesta quinta-feira (8), em janeiro de 2026, a série documental “Quebra de Juramento - um médico no banco dos réus”. A produção original do Jornalismo da Globo mergulha nos bastidores da investigação contra o cirurgião João Couto Neto, acusado de ser protagonista de um dos maiores escândalos criminais da medicina no Brasil.

O médico responde a mais de cem inquéritos policiais sob a suspeita de ter provocado a morte de pelo menos 40 pacientes e causado lesões corporais em outros 108 no Rio Grande do Sul. Dividida em três episódios, a obra revela detalhes inéditos sobre a conduta do profissional que era referência em cirurgias por videolaparoscopia na região do Vale dos Sinos.

Segundo as investigações da Polícia Civil iniciadas em 2022, o cirurgião teria instaurado uma "linha de produção" em hospitais particulares, abandonando a ética para enriquecer. A série documental apresenta áudios e mensagens enviadas por João Couto Neto a seus pacientes, além de depoimentos exclusivos de familiares de supostas vítimas e autoridades do Ministério Público.

“A série procura apresentar um retrato objetivo das investigações do caso. Traz as conclusões da polícia e da Promotoria, mas contempla ex-pacientes que o defendem, antecipando o debate que deverá ocorrer nos tribunais”, explica a produtora executiva Clarissa Cavalcanti. O projeto destaca a complexidade de investigar profissionais de saúde no cenário jurídico brasileiro atual.

Para além do crime, o documentário discute a precarização da relação médico-paciente. O diretor e roteirista Thiago Guimarães afirma que o caso é um sintoma de problemas estruturais: “Independentemente do desfecho judicial, a série mostra que essas investigações refletem falhas estruturais na prática médica do país, afetando diretamente a segurança de quem busca atendimento”.

Dados trazidos pela produção mostram que as ações por danos na saúde saltaram de 29,3 mil em 2020 para 76,9 mil em 2024. A série contextualiza esse aumento com a explosão de escolas médicas no Brasil, que cresceram 147% desde 2010, e a baixa taxa de cassação de registros pelo Conselho Federal de Medicina.

Atualmente, João Couto Neto responde em liberdade e está proibido de exercer a medicina. Ele já é réu em dois processos por homicídio com dolo eventual e a Justiça gaúcha deve decidir em breve se os casos irão a júri popular. A direção da série é assinada por Thiago Guimarães, com roteiro de Renata Matarazzo e fotografia de Adriano Ferreira.

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